Perguntas e respostas feitas no Webinar

Perguntas e respostas feitas no Webinar: currículo como ferramenta de aprendizagem, desenvolvimento de competências e redução de custos

Rui Fava

14.ABR.2020

Vemos algumas iniciativas mundiais trabalhando o conceito de home “schooling”, criando currículos personalizados para alunos estudarem em sua casa. Essa solução era muito focada para atender país que tem necessidade constante de mudanças. Será que esse não é uma tendência que as escolas devem começar a considerar, ou seja, não apenas o EaD, mas uma educação de conteúdo personalizado e entregue onde o aluno estiver.

 

Mudança é o ato de modalizar, alterar, metamorfosear modos convencionais de pensamento e comportamento. Com a globalização, com raras exceções, não acredito que existam transmutações significativas em apenas alguma parte do mundo. Na escola é um movimento doloroso com forte relutância, pois altera paradigmas, hábitos, modelos mentais, lendários e arraigados. Cada ocasião em que se propõe alguma mutação, a resistência é instantânea, pois muitos educadores tendem a enjeitar aquilo que percebem como ameaça ao modus operandi, ao corporativismo estabelecido e que lhes tiram da zona de conforto. Todavia, se a escola optar por não se adaptar, inovar, transmutar, tal pleito não é imprescindível, uma vez que também a perenidade não é obrigatória.

Eu concordo e entendo que a personalização e a individualização é um caminho sem volta, afinal, os jovens da geração Z, possuem um novo conjunto de expectativas, estão interessados em novas formas de se envolver com as escolas, preferem o acesso, em vez da posse, querem resultados e não a singularidade de um certificado ou diploma, desejam personalização, não generalização, buscam inteligência de rua e não somente inteligência de escola, querem melhoria constante não obsolescência planejada.

O mercado de captação "parou". Como resolver a equação da captação para o segundo semestre, principalmente para o Ensino Presencial, que agora está "virtualizado"?

Meu mestre, tenho uma enorme admiração e respeito por você. Sou um privilegiado em tê-lo como um de meus mais oniscientes amigos, afinal, não é plausível fazer qualquer escólio sobre EaD no Brasil, sem citar João Vianney Valle Santos.

Sou um aprendiz a peão de chão de fábrica. Captação e permanência, faz parte da terceira dimensão do PDCA. Temos na Hoper pessoas muito mais preparadas para fazer sugestões nesse quesito, como é o caso das excepcionais Cibele Schuelter e Daniele Piazzi. De qualquer forma, diria que, sem um produto e serviço adequado ao contexto, responsável e de qualidade, certamente, tanto a evasão quanto a permanência ficam prejudicadas, afinal o melhor componente de marketing de captação e permanência de uma IES são seus próprios estudantes.

Suas considerações são desafiadoras.......Uma pergunta:  na prática sua proposta é de possibilidade de instiguir disciplinas e criar áreas, desde que eu não perca as competências e habilidades da cada curso? Fale um pouco mais sobre essa relação. Obrigada.

Um dos relevantes objetivos do currículo 30-60-10, para o desenvolvimento e competências, é otimizar a eficiência e eficácia no incremento da inteligência de rua (mercado). Como passo imprescindível para tal, todos os módulos de estudo devem ser descritos com base em seus resultados de aprendizagem. O pano de fundo dessa caracterização no currículo 30-60-10, é a transmutação de paradigma afastando-se de um abalroamento centrado no ensino para uma abordagem centrada nos estudos e no aprendizado.

O que existe de diferente nesse novo arquétipo é que o foco não é mais medir a contribuição do docente no processo de ensino de disciplinas estanques e engessadas, mas sim avaliar o resultado da aprendizagem do discente. A Neurodidática nos ensina que o cérebro é um órgão social que aprende realizando coisas com outras pessoas, o currículo 30-60-10, propõe uma transmutação, substituindo as disciplinas tradicionais, ministradas por meio de aulas palestradas com estudantes passivamente enfileirados, por desafios e atividades de aprendizagem que potencializem a aplicação dos conteúdos e estimulem a cooperação entre os pares, utilizando metodologias híbridas.

 

O currículo por disciplina fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade. As disciplinas como estão estruturadas servem tão somente para segregar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Nesse sentido, o currículo conteudista não está em sintonia com o atual estágio da sociedade que exige uma formação por competência e não por conteúdo. A educação deve romper com arquétipos obsoletos, concebidos para um contexto que não mais existe, caso contrário, será sempre ineficiente e insuficiente para os profissionais/cidadãos almejados pelo mercado atual. É esse paradigma que o currículo 30-60-10, se propõe a mutuar.

O nível da compreensão na Taxonomia de Bloom, para alguns aprendizes, não se concretiza, às vezes, no nível do aplicar?

Devido a sua simplicidade, a taxonomia de Bloom, tornou-se uma pedra angular do ensino e da aprendizagem e um dos parâmetros mais importantes sobre os quais se fundamenta o currículo 30-60-10. Em tempos de forte metamorfose na educação, causada pela TDC e catalisada pela COVID19, se tornou ainda mais relevante. Por meio da categorização e ordenação de vários processos conectados, fornece uma ferramenta poderosa para refletir sobre o aprendizado dos estudantes. Embora divida o processo em categorias hierárquicas, é nítida a sensação de que uma não existe independentemente da outra.

 

Não é possível compreender, sem antes conhecer, como também, não é factível aplicar sem conhecer e compreender. Dessa forma, certamente a compreensão é sedimentada pela aplicação.

A formação nexialista envolve a formação generalista e especialista. Mas, também fala de uma formação permeada pelo sentido daquilo que o aluno está desenvolvendo ao longo da sua trajetória acadêmica. Constatação correta?

Constatação corretíssima. Os conhecimentos adquiridos ao longo da trajetória acadêmica são mais que um conjunto de fatos, dados e informações acumulados. Inclui padrões de linguagem e maneiras de pensar, compreender, raciocinar, analisar, sintetizar e avaliar, que os aprendizes desenvolvem por meio de seus padrões sociais, experienciais e culturais dentro e fora da escola.

 

Acrescento ainda que o currículo tradicional não consegue desenvolver os nexialistas, uma vez que transmite, mas não ensina a buscar informação, em outras palavras, não desenvolve a inteligência decernere, a aptidão de rastrear discernir, escolher e tomar boas decisões. As metodologias ativas também não medram, porquanto, o objetivo é aplicar os conteúdos ensinados para desenvolver a inteligência volitiva e a proatividade. Aliás, sou defensor de que não existe metodologia ativa e sim aprendizagem ativa. Mesmo a nomenclatura aprendizagem ativa concerne-se num pleonasmo inapropriado, todavia, aceitável, porquanto, a neurociência cognitiva testifica que não se encontra assimilação passiva, daí a indispensabilidade da pluralidade na educação, bem como, a aplicação de metodologias híbridas e não métodos únicos, como é o caso do modismo atual com as metodologias ativas. A metodologia híbrida, divide-se em metodologia instrucional, metodologia experiencial e metodologia experimental. Quais delas será utilizada? O conteúdo, o desafio e o objetivo de aprendizagem é que determinarão qual delas é a melhor opção.

Você concorda com a definição de competência do prof alemão Jonh Erpenbeck, que define a competência como comportamento auto-organizado e criativo perante mudanças? Um forte abraço!

Meu amigo, infelizmente não temos o seu nome. Que sou eu para discordar desse gênio que tive o privilégio de conhecer e ter uma aula inesquecível sobre avaliação de competências na Steinbeis University em Stuttgart. Nesse dia, fomos presenteados com um excepcional livro do Prof. Erpenbeck, The Creative Power of Education, Steinbeis University, SIBE Edition, 2015, hoje um dos meus livros de cabeceira.

O Prof. John Erpenbeck, foi o criador do método KODE, um procedimento de avaliação de quatro competências básicas em situações favoráveis e desfavoráveis, cotidianas ou profissionais. Não tenho dúvidas que são as competências necessárias para o profissional em tempos de TDC. São elas:

  • Competência pessoal (P): Capacidade de ser inteligente e crítico consigo mesmo, desenvolver atitudes produtivas, valores e ideias;  

  • Competência técnica e metodológica (F): Capacidade de lidar com problemas aparentemente insolúveis de forma criativa, com conhecimento técnico e metódico;

  • Competência sócio-comunicativa (S): Capacidade de se reunir e lidar com outras pessoas por sua própria iniciativa. Cooperar e se comunicar criativamente;

  • Competência para tomar decisão (A): Capacidade de implementar todo o conhecimento e habilidades, todos os resultados da comunicação social, todos os valores e ideais pessoais de uma forma realmente forte e ativa.

 

No momento, fizemos a transição para o ensino remoto, utilizando a plataforma AVA com conteúdos diversificados, em formatos diferentes do conteúdo, incluindo live com o professor. Mas estou recebendo uma reação negativa imensa. Os acadêmicos, ou não querem o remoto, ou querem o professor online durante as 4 horas por dia. Como vocês tem enfrentado essa situação?

Metamorfose alguma é encetada de uma só vez. De nada adianta querer revolucionar a escola se os espíritos de seus stakeholders não estiverem preparados. A dificuldade é que a COVID19, precipitou uma transmutação que já deveria estar sendo trabalhada a algum tempo, uma vez que a Tecnologia Digital Cognitiva (TDC), estava apontando para esse cenário. Toda vez que se tem uma disfunção, esta traz consigo a angústia, apreensão, receio e preocupação, uma vez que inúmeros processos, ocupações e serviços são disseminados deixando todos ansiosos, perdidos, sem saber como agir, as vezes belicosos tentando lutar contra as transmutações.

 

A dificuldade é que o cérebro humano não está preparado para um mundo mais virtual e menos analógico. Educadores e estudantes não tinham necessidade de lidar com as incertezas do mundo digital. O máximo de conexão virtual que existia era tomar um alucinógeno e tentar se conectar com os deuses em uma experiência transcendental. 

 

Nunca é um toque de varinha mágica. Primeiro, a mutação não pode significar uma simples troca de ambiente de aprendizagem. Transportar as mesmas formas, os mesmos materiais didáticos, os mesmos objetos de aprendizagem, a mesma metodologia, utilizada no presencial, realmente não terá aceitação, pois o estudante não deseja sair de seu conforto. Uma solução é criar desafios lúdicos, incitadores e provocantes que criem a necessidade do aprendiz buscar a informação e o conhecimento e aplicá-lo na resolução do problema ou projeto proposto.

No período da assimilação, existe a possibilidade de conteúdos online, ou todo o processo é presencial?

Estimada Simoni, tanto a recuperação dos conhecimentos prévios, quanto a assimilação dos conteúdos de fundamentos, poderão e deverão serem ministradas por meio de metodologias híbridas. Certamente, na dimensão 30 é que haverá a necessidade de maior intervenção do professor com relação a metodologia instrucional, o que não significa que não se possa utilizar as metodologias experiencial e experimental, presencial ou online dependendo do desafio, dos conteúdos, dos objetivos de aprendizagem almejados e das possíveis deficiências e lacunas dos estudantes. Portanto, são os conteúdos a serem ensinados, as competências e habilidades que serão desenvolvidas, que determinam a modalidade e a metodologia a ser utilizada e não o contrário, como rotineiramente é feito. 

Como você entende a aplicação desse novo modelo de currículo num modelo híbrido ou mesmo todo a distância? Existem estratégias especiais?

Dileta Betânia, os súperos currículos são concebidos sob o ponto de vista dos aprendizados desejados e não somente na óptica dos conteúdos que serão abordados. O currículo 30-60-10, enuncia o que o aprendiz deverá alcançar ao sair, quais os resultados almejados, quais competências e habilidades ambicionadas, quais conteúdos deverão ser assimilados. Em suma, assinala os outputs esperados e os meios para auferi-los. O que o estudante deve saber, compreender, fazer, criar, analisar, avaliar, aplicar, sintetizar, transferir ao final da jornada, expressos em termos de desempenho de um produto, serviço, projeto, resolução de problema. Todo esse planejamento está na primeira dimensão (Plan) do PDCA. 

Onde e como distribuir está na terceira dimensão (Check). Ao planejar o currículo, o planeador deve considerar que o currículo poderá e deverá ser possível de implementar e operacionalizar em qualquer modalidade. Como salientei na resposta para a Simoni, são os conteúdos a serem assimilados, as competências e habilidades que serão desenvolvidas, que determinam a modalidade. Objetivamente, a forma, a metodologia e algumas estratégias, carecem ser amoldadas para cada modalidade, entretanto, o currículo deve ser idealizado para todas as modalidades.

O objetivo de engajamento ele entra no Plano de Ensino?

 

As atividades de engajamento são boas e necessárias e devem sim fazer parte do Plano de Ensino. Entretanto, o que tencionei foi chamar a atenção para que não se confunda com atividade de aprendizagem. A atividade de engajamento proporciona importante incitação, estímulo, animação, contudo, pouco esforço cognitivo e, por conseguinte, escasso aprendizado. Por outro lado, na atividade de aprendizagem, o estudante precisa estudar, se preparar, se empenhar, ou seja, muita transpiração e, consequentemente, efetiva assimilação. Para cada atividade de aprendizagem é essencial saber para que fins será direcionada, quais os conceitos, princípios, ideias e habilidades essenciais serão desenvolvidas, enfim, qual o propósito e objetivo almejados na assimilação e como serão avaliados. Explicitamente a escola deve prever tanto as atividades de engajamento, quanto as atividades de aprendizagem em seus planos de ensino.

Minha questão é se os laboratórios virtuais servem à aprendizagem efetiva e em que medida?

 

A experiência prática é um componente importante do processo instrucional. O principal objetivo de um laboratório virtual educacional é fornecer todas as ferramentas, aplicações e condições necessárias, que constituem um espaço eficiente onde experimentação, simulação, comunicação e colaboração podem ser utilizadas para a obtenção de uma aprendizagem efetiva.

 

Nos laboratórios virtuais, os estudantes podem experimentar, simular, pesquisar, sem limitações de espaço ou tempo. Eles estão disponíveis o ano todo, em oposição aos laboratórios escolares, circunscritos a um local específico, com insumos restritos e tempo limitado, além de ser, economicamente, mais baratos. Objetivamente, a TDC, somado a Inteligência Artificial, Realidade Virtual, e Realidade Aumentada,  proporcionam a possibilidade de se ter uma aprendizagem efetiva, bem como, o desenvolvimento de competências e habilidades por meio de experimentos e simulações em laboratórios virtuais, tão eficazes e, as vezes, até mais eficientes do que em laboratórios analógicos, visto nos laboratórios virtuais o estudante pode errar e simular quantas vezes for necessária para a aprendizagem efetiva.

Estudo currículos em Educação Física, e na DCN (6/2018) há especificação de carga horária básica (1600 horas) e específica (1600 -Bacharelado ou 1600 - Licenciatura) com especificações para cada período como atividades complementares, estágio, ou seja, já há uma hierarquia de saberes na lei sobre os primeiros dois anos e os dois últimos anos. Como abordar 30-60-10 com esta estrutura legal, além das atividades de extensão?

 

A diferença do currículo tradicional para o currículo 30-60-10, está na forma de instruir e desenvolver competências e habilidades e não nos conteúdos. O currículo tradicional é dedutivo, isto é, são transmitidas enormes quantidades de conteúdos, segmentados por disciplinas cartesianas, instruídos por meio de aulas palestradas, estudantes passivos, deixando para o final do curso a prática pedagógica e laboratorial, muitas vezes sem qualquer conexão com o mundo real. O currículo 30-60-10, propõe o raciocínio indutivo, isto é, a prática ocorre concomitantemente ao ensino e aplicação dos conteúdos, por meio do desenvolvimento de projetos e resolução de problemas reais ou simulados. 

 

O que a DCN salienta são os conhecimentos e competências a serem ofertadas em cada etapa. Por exemplo, na etapa comum, sugere competências, habilidades e conhecimentos biológicos, psicológicos e socioculturais (fisiológico, biomecânico, anatômico-funcional, bioquímico, genético, psicológico, antropológico, histórico, social, cultural e outros), entretanto, não determina a maneira, sendo assim, esses conhecimentos, competências e habilidades podem ser ensinados e desenvolvidos por meio da aprendizagem ativa, isto é, utilizando metodologias híbridas (metodologia instrucional, experiencial e experimental).

 

Não obstante, é realista imaginar a inviabilidade de seguir esses percentuais (30-60-10) de forma literal, posto que os desafios são diversificados, as vezes imprevisíveis, uns mais dinâmicos e complexos, outros menos. A aprendizagem não é, nunca foi, linear, bem como, existe uma latente desigualdade na assimilação, na profundidade de conhecimentos atávicos e experiências de cada aprendiz. Todavia, quanto mais perto for possível chegar desse padrão, mais chances existem de se desenvolver profissionais de alta performance que possuem boa base teórica, bem como, excelente experiência prática.

Você tem alguma sugestão podemos encontrar para aplicar esses novos conceitos na educação?

 

Não duvide que indivíduos e grupos comprometidos, atentos à evolução cultural, social e tecnológica, conscientes de suas potencialidades possam transformar a educação. O contexto atual é favorável, pois o mercado e a sociedade estão ansiando tal transmutação, portanto, trata-se de um otimismo que vem da razão e não apenas da emoção. 

 

A metamorfose não se inicia com uma avalanche de legislações como: Portarias e Pareceres, Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ou através do projeto da escola, por meio da vontade de um diretor. A mutação começa com você, comigo, com nós educadores que estamos cientes da necessidade de desenvolver competências, de incrementar inteligência de rua (mercado) para que nossos graduandos possam participar do nível mais alto da economia compartilhada. Lembre-se que qualquer jornada se rompe com o primeiro passo, com estreitados eventos que, acoplados a outros elementos, criam miúdos contextos, os quais reunidos e somados, dão origem às grandes transformações. Educação é verbo, aprendizagem e desenvolvimento de competências são efeitos. Transformar escolas de substantivo para verbo é realmente um gigantesco desafio. 

A quem compete a aplicação do PDCA?

 

O ciclo PDCA é um método de gerenciamento com foco na melhoria e que tem por objetivo aperfeiçoar os processos de forma contínua. O método é um dos mais eficientes para planejar, executar, checar e aprimorar as atividades de maneira frequente e consistente. O que fiz, foi adaptar essa excepcional ferramenta de gestão para o planejamento de currículos e objetivos de aprendizagem.

 

A aplicação do PDCA deve ser de responsabilidade de todos que estejam envolvidos com a construção do currículo e a tomada de decisão na instituição. Portanto, a liderança deverá ser da direção superior, mas a responsabilidade será de todos. No livro Educação 3.0: Aplicando o PDCA nas Instituições de Ensino, Ed. Saraiva, 2015, você poderá encontrar mais detalhes de como construir, implementar e operacionalizar essa ferramenta no planejamento e na melhoria dos processos acadêmicos.

Boa tarde trabalhamos com cursos técnicos profissionalizantes na área da saúde....como vamos aderir ao ensino a distância?

 

O ensino presencial tradicional se tornou ineficiente por ser fechado, analógico, conteudista, passivo, muitas vezes ideológico, sem interação com o mercado. A modalidade online tem suas vantagens, como a individualização da aprendizagem, valoriza o professor, preceptor e tutor, porém não proporciona experiência, experimentação e interação entre pares, trabalha apenas com a instrução. Com isso, o ensino híbrido ganhou notoriedade, pois combina as duas modalidades, face-to-face que facilita e promove a interação social, incentiva a experiência, experimentação e aplicabilidade dos conteúdos assimilados e online que proporciona flexibilidade, adaptabilidade, individualização e personalização da aprendizagem. Entretanto, a transmutação híbrida não ocorre sem uma metamorfose integral da escola, da estrutura física, dos currículos, metodologias, cultura e modelo mental. No caso dos cursos técnicos, certamente os conteúdos teóricos serão ofertados a distância e as práticas que não podem serem feitas por meio de laboratórios virtuais, serão realizadas presencialmente.

Um novo professor/educador está surgindo neste trágico momento. Como o educador pode objetivar o alcance desse aprendizado?

 

O professor no currículo 30-60-10, é alguém que auxilia o estudante a assimilar mais rápido e com mais eficiência o que deve estudar, compreender, analisar, sintetizar, solucionar, desenvolver, aplicar, transferir e mensurar. Isso envolve um relacionamento que permita medrar a confiança e a curiosidade em descobrir qual o melhor processo para o ensino, desenvolvimento e aprendizagem.

 

A essência dessa contemporânea atitude docente é a humildade diante da complexidade do processo, despojamento no relacionamento com o discente, no sentido de que está ali para ajudar a minimizar as dificuldades juntos, a solucionar os problemas e anomalias com empatia e não para transmitir conteúdos e procurar inserir apenas as próprias ideias, ideologias e conceitos. Tal conduta, reivindica compromisso de auxiliar, responsabilizar-se, tutelar, cuidar do aprendiz e, acima de tudo, curiosidade para buscar novas formas para conseguir a efetividade da aprendizagem. Dessa forma, os programas de treinamento e qualificação de professores nas IES, necessitam rever seus compromissos, incumbências e responsabilidades.

Como você vê a possibilidade de currículos abertos? Desenhados, personalizados, por demanda do estudante no Ensino Superior?

 

Entendo que este será o paradigma de um futuro não muito distante da educação. O modelo tradicional é centrado na escola, com configurações de cursos fragmentados, prescritos por especialistas e técnicos muitas vezes sem experiência prática, desconectados com o mercado, baseados em suposições sobre o mundo do trabalho que podem estar obsoletas assim que a tinta dos livros da bibliografia básica e complementar estiver seca. Essa abordagem não funciona para os estudantes que avocam papéis complexos ditados pela economia digital.

 

No modelo de aprendizagem ao longo da vida, as escolas deverão compilar os currículos, não por conta própria, imaginando que saibam o que os aprendizes necessitam, mas construí-los em parceira com as empresas, mercado e sociedade, para desenvolver as competências, habilidades e conhecimentos aderentes as vigentes carências provocadas pela tecnologia e inteligência artificial. Em outras palavras, o empregador se tornará parceiro ao delinear, conjuntamente com a escola, os objetivos do processo de ensino, desenvolvimento e aprendizagem, auxiliando a mantê-los assingelados, relevantes, atualizados e permanentes. Tais currículos devem ser versáteis o suficiente para mutuar, evoluir, assim que houver necessidade tanto da empresa, quanto do aprendiz e da sociedade. Aliás, flexibilidade, agilidade e polivalência, estão entre os principais esteios do currículo 30-60-10.

A interação social e o respeito mútuo é um pilar essencial para o desenvolvimento humano, como a educação a distância pode trabalhar esses pilares?

 

As notas e conceitos acadêmicos por si só não refletem a personalidade da pessoa que as obteve. O mundo do futuro, que vai ser mais complicado, imprevisível, aleatório e fluido do que já é, vai exigir um alto nível de maturidade socioemocional para que se consiga suportar e lidar com a imprevisibilidade. 

 

Nenhuma tecnologia, qualquer inteligência artificial consegue desenvolver as necessárias soft skills exigidas pelo mercado, razão pela qual o professor continuará a ser o mais imprescindível protagonista do processo de ensino, desenvolvimento e aprendizagem. Penso que as Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs) estão se tornando tão avançadas que será possível uma interação forte o suficiente para que possamos desenvolver a personalidade (conhecimento, competência, temperamento e caráter, identidade, valores e atitudes), bem como as necessárias competências socioemocionais.

Qual é a sua visão sobre o preparo audiovisual dos professores nesse momento do covid-19?

 

De forma geral ruim. A tecnologia não ė uma convidada bem-vinda na escola, razão pela qual dificilmente entrará pela porta da frente, uma vez que tira os educadores da zona de conforto, exigindo evolução, adaptabilidade e adotabilidade. Todavia, a educação desprovida de tecnologia, resumida ao simples discurso do professor transfigura a sala de aula em um ambiente monótono sem estímulo, com pouca mobilidade no processo de ensino, desenvolvimento e aprendizagem. O que se percebe é uma reação negativa com relação a utilização dessas inovações, muitos docentes insistindo em se utilizar de métodos tradicionais por não saberem como lidar com as novas possibilidades de hardwares e softwares de sala de aula. Contudo, o COVID19, precipitou uma transmutação que estava em passos lentos e irá provocar o genocídio daqueles professores que insistirem em se manter analógicos.

Você acredita que de alguma forma, esse cenário forçado da Covid-19 impulsionou o desenvolvimento de habilidades e competências do estudante para se adaptar a novas propostas de currículos por competência e de uma aprendizagem ativa? Serão os nativos digitais da pandemia? Mais do que reduzir custos, esse currículo por competências pode consolidar entregas que evidenciem as diferenças do ensino presencial (com virtualização das aulas) do EAD? Eu acredito que viveremos por mais tempo essa virtualização do presencial, e os diferenciais entre as modalidades embora existam, precisam ser evidentes ao público geral.

 

O ensino híbrido já vem evoluindo há bastante tempo, hoje não se encontra um curso de graduação 100% presencial ou 100% à distância. Essa fragmentação de modalidades para mim não existirá mais. Já estávamos caminhando para esse paradigma, o COVID19, simplesmente acelerou o processo.  O que se altera é a possibilidade de personalizar o ensino e a experiência do estudante, que somente se tornou viável por ter a tecnologia como um mecanismo que tira a responsabilidade do professor de transmitir informação e o incumbe pela aplicação do conteúdo. O ensino híbrido é uma combinação bem temperada de metodologias miscigenadas que impactam na atuação do docente em situações de ensino e a ação dos discentes em circunstâncias de aprendizagem. A adoção dessa modalidade exige que sejam repensadas a estrutura e organização da sala de aula, a migração do currículo por disciplina para desenvolvimento de competências, a adoção de metodologias híbridas e a gestão do tempo do estudante na escola.

Se a Regulação permitir a "educação por assinatura", entendo que essa é a lógica para a educação. As Edtechs já trabalham muito bem esse conceito.

 

Na última década ficou visível uma explosão de novos modelos de negócios, todos projetados para manter os clientes engajados de forma consistente em relacionamentos de longo prazo. Empresas como Netflix, Spotify, Uber, Airbnb, Box, Now, Wine, Amazon Prime, Nubank, foram além, inventaram mercados inexistentes, inimagináveis serviços, novos modelos de negócios, inéditas plataformas tecnológicas, deixando companhias estabelecidas para trás. Como consumidores apreciamos essas marcas, reverenciamos o valor que nos proporcionam, um préstimo que vai muito além do que um único produto ou serviço poderiam oferecer.

 

No momento em que uma estratégia está presente em tantos casos de negócios com êxito extraordinários, pode-se inferir que, se não for a fórmula vencedora, pelo menos contém uma dose dos ingredientes necessários. Certamente muitos irão ensandecer, protestar e questionar: Como assim? Educação por assinatura? A provável resposta é que a educação por afiliação seja um estado no qual o aprendiz esteja formalmente engajado com a instituição em uma base permanente, afinal, nada é tão verdadeiro como a necessidade da aprendizagem contínua ao longo da vida. A tecnologia aumentou drasticamente a capacidade de uma ampla gama de setores para aproveitar os modelos de associação e assinatura e, sem qualquer pirronismo, as instituições de ensino podem e devem estar nesse rol.

Tem como baixar esse material?

Sim, tanto o vídeo, quanto os slides da apresentação estão disponíveis no site da Hoper Educação.

Nos livros que estarão disponíveis na Amazon está explicado o 30-60-10? ou só no novo livro? Obrigada!

 

Alguns conceitos sim, outros não. Especificamente sobre o currículo 30-60-10, estará mais profundamente explanado no novo livro nominado: 30-60-10, Ensino Híbrido Consciente para desenvolvimento de Competências. O texto já está com a editora e acredito que muito em breve estará disponível nas principais livrarias e sites de venda.

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