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Informativo Quinzenal

CONVERGÊNCIA ENTRE A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E A EDUCAÇÃO PRESENCIAL

16.06.2014

Há uma tendência que aponta para o desaparecimento gradativo da distinção entre cursos presenciais e cursos a distância, por isso, é importante sua IES estar preparada para este novo cenário

 

Até o final desta década, a dicotomia atualmente existente entre educação presencial e educação a distância irá, gradativamente, desaparecer. A convergência entre as modalidades de ensino fará com que o termo Educação a Distância deixe de ser praticado e novas nomenclaturas surjam para definir esta modalidade. O que provavelmente será predominante é um modelo de educação híbrido e flexível, onde existirá sempre uma parte mediada por tecnologia, com maior ou menor componente de presencialidade, de acordo com o produto e o perfil de público.

 

Em síntese, há uma tendência que aponta para o desaparecimento gradativo da distinção entre cursos presenciais e cursos a distância. O predomínio, tanto do componente virtual, quanto do componente presencial, se dará de acordo com a finalidade do curso, contexto e público-alvo.

 

Descritivo das Pesquisas

 

A Hoper Educação, a partir da sua divisão de Pesquisas de Mercado, vem acompanhando o comportamento do consumidor (estudante) de cursos superiores de graduação e pós-graduação no setor privado de Educação, tanto na modalidade presencial quanto na modalidade a distância, desde o ano de 2003 até a presente data, com pesquisas anuais abrangendo:

 

Entrevistas estruturadas (questionários) com uma média de 5.000 estudantes do ensino superior de cursos presenciais (de todos os cursos) em 18 unidades da Federação, anualmente.

Entrevistas estruturadas (questionários) com uma média de 1.500 estudantes de ensino superior de cursos a distância (de todos os cursos) em 18 unidades da Federação, a cada 3 anos.

Grupos focais com uma média de 500 estudantes de ensino superior, em ambas as modalidades, de 18 estados da Federação, anualmente.

Tabulação e integração das pesquisas internas realizadas por mais de 150 instituições de ensino superior, clientes da Hoper, que fornecem seus dados para compor o sistema de indicadores educacionais da empresa.

Entrevistas estruturadas (questionários) com uma média de 2.000 estudantes do ensino médio, de escolas públicas e privadas, em 18 unidades da Federação, anualmente.

Embasamento

 

A justificativa da tese de convergência entre as modalidades de Educação está alicerçada nos seguintes elementos:

 

Crescente aceitação da sociedade e do mercado de trabalho pela formação na modalidade a distância.

Convergência do perfil de público entre as modalidades de ensino (presencial e a distância).

Convergência do portfólio de cursos entre as duas modalidades.

Convergência nas metodologias de ensino utilizadas por ambas as modalidades.

Convergência nas mídias e tecnologias utilizadas por ambas as modalidades.

Possibilidade real e concreta de extensão do financiamento público ao estudante (FIES) para a modalidade a distância.

Equivalência na qualidade educacional (resultado de aprendizado dos alunos) de ambas as modalidades de ensino, de acordo com as medidas oficiais do Ministério da Educação, com ligeira vantagem para a modalidade a distância.

Elevação do nível de satisfação do estudante de EaD, com consequente redução da evasão.

 

 

a) Crescente aceitação da sociedade e do mercado de trabalho pela formação na modalidade a distância.

 

A modalidade a distância, outrora vista com uma modalidade de ensino inferior à modalidade presencial, a cada ano, apresenta aceitação crescente por parte da sociedade. Esta afirmação tem por base as seguintes evidências:

 

Pesquisa realizada, em 2005, com 1.200 pessoas (target definido por pessoas com ensino médio completo e que ainda não cursavam o ensino superior, de diferentes classes sociais, em acordo com o percentual presente no ensino superior, em 18 UF) mostrou que a rejeição pela modalidade a distância estava presente em 82% dos entrevistados (maior nas classes socioeconômicas mais elevadas e nas faixas etárias mais baixas).

O mesmo instrumento de pesquisa aplicado, com o mesmo perfil de público e na mesma região, quando realizado no ano de 2011, apontou para uma taxa de rejeição da modalidade em EaD de 38%, indicando claramente a crescente aceitação por esta modalidade junto às classes socioeconômicas mais altas e ao estudante mais jovem.

A forte entrada das universidades públicas federais, tidas como as melhores do País, na modalidade a distância, através do consórcio UAB (Universidade Aberta do Brasil), atualmente com mais de 250 mil estudantes e ainda a criação da UNIVESP (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), que integra a USP, a UNICAMP e a UNESP na oferta de cursos a distância, tem contribuído fortemente para chancelar a qualidade e a seriedade dessa modalidade.

Os consórcios mundiais para oferta de cursos online (MOOCs – Massive Open Online Courses) – Coursera, edX e Unacity, encabeçado pelas melhores universidades do mundo, entre elas Stanford, Harvard, MIT, Yale, Michigan, Princeton, entre outras, estão chancelando, em nível mundial, a qualidade e a aplicabilidade dos cursos a distância.

b) Convergência do perfil de público entre as modalidades de ensino (presencial e a distância).

 

Quando comparamos 2005 com 2011, obtemos a seguinte relação de perfis de público:

 

Em 2005, o estudante de EaD era, em média, pertencente a uma faixa etária 9 anos mais velha do que o estudante do ensino presencial e apresentava renda familiar média 60% mais baixa, residindo, predominantemente, em locais onde não existia opção de um curso presencial próximo.

Em 2011, o estudante de EaD é, em média, pertencente a uma faixa etária apenas 4 anos mais velha do que o estudante do ensino presencial, apresentando renda familiar 20% mais baixa, residindo agora, predominantemente, em locais de alta concentração demográfica, mesmo com diversas opções de cursos presenciais ao redor.

c) Convergência do portfólio de cursos entre as duas modalidades.

 

Inicialmente a modalidade a distância concentrava seu portfólio de cursos nas licenciaturas (cursos para formação de professores), por diversos motivos, incluindo a grande demanda reprimida nesta área e a maior aceitação da modalidade por parte do público destes cursos. Atualmente já há um predomínio dos cursos superiores de Tecnologia na modalidade a distância e, gradativamente, o Ministério da Educação vem sinalizando a flexibilização da modalidade para um portfólio maior de cursos, principalmente na área das engenharias e jurídica, onde já existe autorização, ainda que restrita, para cursos de bacharelado em Direito.

 

d) Convergência nas metodologias de ensino utilizadas por ambas as modalidades.

 

A cada ano as metodologias de estruturação do ensino presencial se aproximam mais das utilizadas para organizar os cursos a distância, uma vez que estas já demonstraram serem mais efetivas para garantir um controle de qualidade sobre a aprendizagem do aluno.

 

Além da estruturação metodológica, já aparecem cursos presenciais com mais de 30% de atividades não-presenciais. Do outro lado, já existem diversos cursos em EaD com mais de 40% de carga horária de atividades presenciais.

 

e) Convergência nas mídias e tecnologias utilizadas por ambas as modalidades.

 

Os AVAs (Ambientes Virtuais de Aprendizagem), presentes em todos os cursos a distância, começam a se tornar realidade frequente também nos cursos presenciais, como forma de organizar melhor o conteúdo e permitir um acompanhamento mais individualizado de cada aluno.

 

f) Possibilidade real e concreta de extensão do financiamento público (FIES) para a modalidade à distância.

 

O Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, já declarou no Congresso Nacional a intenção do Ministério em ampliar o Financiamento Estudantil (FIES) para os cursos em EaD. Tal fato deve ocorrer em meados do ano de 2014, causando um forte impacto no crescimento do número de alunos nesta modalidade.

 

g) Equivalência na qualidade educacional (resultado de aprendizado dos alunos).

 

O desempenho dos estudantes de ambas as modalidades de ensino, de acordo com as medidas oficiais do Ministério da Educação, através do ENADE (Exame Nacional de Desempenho Estudantil), demonstra equivalência de resultados em ambas as modalidades de ensino, com ligeira vantagem para a modalidade à distância.

 

h) A elevação do nível de satisfação do Estudante EAD com consequente redução da evasão.

 

A satisfação do estudante quanto à qualidade dos serviços prestados na modalidade EaD vem aumentando ano a ano. Uma pesquisa com estudantes EaD aplicada em 2009, revela que 40% dos estudantes matriculados na graduação EaD não recomendavam seu curso para os amigos.

 

O baixo nível de recomendação estava atrelado principalmente às deficiências tecnológicas e pedagógicas existentes nas instituições de ensino. A mesma pesquisa aplicada em 2012 mostra evoluções significativas, onde apenas 6% dos entrevistados declararam não recomendar a modalidade EaD para seus amigos.

 

A elevação do nível de satisfação do Estudante EaD impactará em um crescimento significativo no número total de alunos para os próximos anos, visto existir uma correlação direta entre evasão e satisfação do estudante. A expectativa é que ocorrerá uma significativa ampliação da retenção de estudantes.

 

Em síntese, são muitas as evidências que apontam para a convergência entre as modalidades de ensino, exigindo dos empresários, mantenedores e órgãos públicos, uma revisão da questão competitiva no segmento, em função do impacto que provoca no setor a provável integração das modalidades.

 

Uma das questões mais relevantes para o Setor, que ocorre como consequência desta convergência, é o impacto competitivo sofrido pelas mais de 1.400 pequenas faculdades isoladas existentes no País, que passarão a competir localmente com instituições que gozam de autonomia universitária, capacidade de investimento e economia de escala.

 

A sobrevivência destas pequenas instituições está atrelada às seguintes alternativas:

 

Atingir um alto nível de diferenciação em seus produtos e serviços ou;

Consórcio para viabilizar uma atuação conjunta com ganho de escala, ou ainda;

Associar a algum grande grupo consolidador para usufruir da autonomia universitária e da estrutura de EaD desse grupo.

Estas questões serão discutidas com mais detalhes na conferência de sábado, dia 08 de junho, pela manhã, do Congresso Brasileiro de Educação Superior (2013).

 

 

Ryon Braga é Fundador e Presidente do Conselho da Hoper Educação. Graduado em Administração, com especialização em Neuropedagogia. Mestre em Educação na Universidad de Jaén (Espanha). Membro do Conselho de Administração em três empresas do setor de Educação. Autor de diversos livros, entre eles: Marketing Educacional e Planejamento Estratégico para Instituições de Ensino. ryon@hoper.com.br

 

ATENÇÃO: Não é permitida a reprodução integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é permitida apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra.

Plágio é crime (Lei 9610/98).

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