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PRODEESE - Módulo III
Fórum Permanente de Líderes do Setor de EducaçãoSeminário Hoper em Porto Alegre
O Mundo da Educação Privada na Era dos Grandes Grupos EducacionaisArtigos
15
mar

Autor: Romário Davel
Inadimplência no ensino superior

Autor: Romário Davel
A inadimplência é um dos fantasmas que assombra boa parte das Instituições de Educação Superior Privadas no Brasil. Essa situação agrava-se, principalmente, em momentos de crise onde a inadimplência no mês, ou seja, atraso no primeiro dia de vencimento chega à casa dos 45% em algumas IES.
Normalmente os gestores de Instituições de Educação Superior atribuem motivos já conhecidos como crise econômica, baixo poder econômico das famílias, elevados índices de desemprego, características regionais, produtos e serviços que concorrem diretamente com o ensino superior, entre outros argumentos.
Segundo levantamento da Hoper, a inadimplência média encontra-se na casa dos 8%. Por que algumas IES conseguem atingir indicadores estáveis e abaixo da média enquanto outras amargam índices que ultrapassam a casa dos 15%?
Sempre encontramos essa resposta no modelo de gestão adotado ou na falta de um modelo de gestão. A ausência de um planejamento que alinhe o rumo da instituição com o público a ser atendido, onde gere diretrizes para todas as áreas (acadêmica, administrativa, financeira, marketing, recursos humanos e tecnologia) afeta diretamente a eficiência no processo de controle da inadimplência. Pouquíssimas IES possuem diretrizes, políticas e ações que previnam os elevados índices de inadimplência.
Principais motivos de inadimplência, segundo gestores de instituições de ensino superior:
Baixa capacidade de pagamento do consumidor - Justificativa muito presente em instituições que predominam estudantes da classe econômica C e D. O fato é que a maioria das instituições não possui informações que comprovem essa baixa capacidade de pagamento do consumidor. Comprovação que pode ser obtida com uma simples pesquisa na matrícula dos alunos, onde é possível obter informações de renda familiar do ingressante e gerar uma série de indicadores de desempenho. Exemplo são situações em que a mensalidade da faculdade comprometa mais de 20% da renda familiar do aluno: essa porcentagem é considerada elevada e afetará os indicadores de inadimplência. Vale registrar que cursos na área de saúde e na área das engenharias são mais "tolerantes" e podem chegar a comprometer 30% da renda familiar sem acarretar impacto nos índices de inadimplência.
Caso constate o baixo poder aquisitivo, a IES pode entrar em outro patamar de discussão: a mensalidade está elevada ou a instituição atrai o público errado? A instituição possui diferenciais que justifiquem prática de preços superiores ao mercado? Existe público na região que possa e esteja disposto a pagar as mensalidades praticadas pela instituição?
Crise econômica - Justificativa presente em todas as instituições analisadas, onde está atrelada ao índice de desemprego, insegurança, entre outros elementos. Algumas IES utilizam estratégias como bolsa desemprego, seguro desemprego, oferta de financiamento para minimizar o impacto em momentos de crise. Vale ficar atento, pois pode ser muito mais caro terceirizar esses serviços.
Características Regionais - O público atendido não valoriza o ensino superior e não prioriza o pagamento da fatura da faculdade. Alunos preferem pagar a conta do celular, cartão de crédito, prestação do carro, moto etc.
Cabe uma pergunta: Onde as instituições estão errando para que o público passe a não priorizar a educação? Para explorar essa questão é preciso ouvir o mercado: "O ALUNO".
Pesquisas qualitativas realizadas pela Hoper nos últimos 5 anos revelam que, além das questões macroeconômicas, a inadimplência está muito relacionada a credibilidade e a qualidade dos serviços prestados pelas Instituições de Educação Superior.
Ponto de vista do aluno, segundo pesquisas realizadas pela Hoper:
A mensalidade é cara - Questão sempre abordada com a relação baixo custo-benefício. A instituição não consegue mostrar para o público o valor nos serviços prestados; normalmente o aluno está frustrado com a instituição, apresenta elevado índice de insatisfação, baixo índice de recomendação e mensalidade comprometendo muito da receita familiar.
Em todas as pesquisas realizadas pela Hoper é possível fazer correlações diretas entre a satisfação do aluno e os índices de inadimplência.
Identificar as causas da insatisfação e promover ações que proporcionem maior impacto nos índices de satisfação pode colaborar no controle de inadimplência.
Vale a pena ser inadimplente - Problemas de fluxo de caixa, podem fazer com que a instituição fique refém do consumidor. Em muitas instituições fica evidente que vale a pena esperar a rematrícula para então renegociar a dívida e ainda, de quebra, conseguir isenção de juros e multas. Na ânsia de conseguir reverter a inadimplência, a instituição passa a oferecer benefícios que acabam motivando adimplentes a entrarem no mesmo processo.
Além de atender as limitações econômicas do público que chega ao mercado de ensino superior com preços adequados a sua realidade e que não comprometa a saúde financeira familiar, existe ainda um grande desafio para a IES: atender as prioridades e as expectativas de um público que chega cada vez mais heterogêneo e exigente ao ensino superior. É evidente que o processo de frustração e de insatisfação dos alunos afeta diretamente outros indicadores como eficiência na captação de novos alunos, evasão, percepção de imagem de qualidade entre outros, mas esses assuntos ficam para os próximos capítulos.
Normalmente os gestores de Instituições de Educação Superior atribuem motivos já conhecidos como crise econômica, baixo poder econômico das famílias, elevados índices de desemprego, características regionais, produtos e serviços que concorrem diretamente com o ensino superior, entre outros argumentos.
Segundo levantamento da Hoper, a inadimplência média encontra-se na casa dos 8%. Por que algumas IES conseguem atingir indicadores estáveis e abaixo da média enquanto outras amargam índices que ultrapassam a casa dos 15%?
Sempre encontramos essa resposta no modelo de gestão adotado ou na falta de um modelo de gestão. A ausência de um planejamento que alinhe o rumo da instituição com o público a ser atendido, onde gere diretrizes para todas as áreas (acadêmica, administrativa, financeira, marketing, recursos humanos e tecnologia) afeta diretamente a eficiência no processo de controle da inadimplência. Pouquíssimas IES possuem diretrizes, políticas e ações que previnam os elevados índices de inadimplência.
Principais motivos de inadimplência, segundo gestores de instituições de ensino superior:
Baixa capacidade de pagamento do consumidor - Justificativa muito presente em instituições que predominam estudantes da classe econômica C e D. O fato é que a maioria das instituições não possui informações que comprovem essa baixa capacidade de pagamento do consumidor. Comprovação que pode ser obtida com uma simples pesquisa na matrícula dos alunos, onde é possível obter informações de renda familiar do ingressante e gerar uma série de indicadores de desempenho. Exemplo são situações em que a mensalidade da faculdade comprometa mais de 20% da renda familiar do aluno: essa porcentagem é considerada elevada e afetará os indicadores de inadimplência. Vale registrar que cursos na área de saúde e na área das engenharias são mais "tolerantes" e podem chegar a comprometer 30% da renda familiar sem acarretar impacto nos índices de inadimplência.
Caso constate o baixo poder aquisitivo, a IES pode entrar em outro patamar de discussão: a mensalidade está elevada ou a instituição atrai o público errado? A instituição possui diferenciais que justifiquem prática de preços superiores ao mercado? Existe público na região que possa e esteja disposto a pagar as mensalidades praticadas pela instituição?
Crise econômica - Justificativa presente em todas as instituições analisadas, onde está atrelada ao índice de desemprego, insegurança, entre outros elementos. Algumas IES utilizam estratégias como bolsa desemprego, seguro desemprego, oferta de financiamento para minimizar o impacto em momentos de crise. Vale ficar atento, pois pode ser muito mais caro terceirizar esses serviços.
Características Regionais - O público atendido não valoriza o ensino superior e não prioriza o pagamento da fatura da faculdade. Alunos preferem pagar a conta do celular, cartão de crédito, prestação do carro, moto etc.
Cabe uma pergunta: Onde as instituições estão errando para que o público passe a não priorizar a educação? Para explorar essa questão é preciso ouvir o mercado: "O ALUNO".
Pesquisas qualitativas realizadas pela Hoper nos últimos 5 anos revelam que, além das questões macroeconômicas, a inadimplência está muito relacionada a credibilidade e a qualidade dos serviços prestados pelas Instituições de Educação Superior.
Ponto de vista do aluno, segundo pesquisas realizadas pela Hoper:
A mensalidade é cara - Questão sempre abordada com a relação baixo custo-benefício. A instituição não consegue mostrar para o público o valor nos serviços prestados; normalmente o aluno está frustrado com a instituição, apresenta elevado índice de insatisfação, baixo índice de recomendação e mensalidade comprometendo muito da receita familiar.
Em todas as pesquisas realizadas pela Hoper é possível fazer correlações diretas entre a satisfação do aluno e os índices de inadimplência.
Identificar as causas da insatisfação e promover ações que proporcionem maior impacto nos índices de satisfação pode colaborar no controle de inadimplência.
Vale a pena ser inadimplente - Problemas de fluxo de caixa, podem fazer com que a instituição fique refém do consumidor. Em muitas instituições fica evidente que vale a pena esperar a rematrícula para então renegociar a dívida e ainda, de quebra, conseguir isenção de juros e multas. Na ânsia de conseguir reverter a inadimplência, a instituição passa a oferecer benefícios que acabam motivando adimplentes a entrarem no mesmo processo.
Além de atender as limitações econômicas do público que chega ao mercado de ensino superior com preços adequados a sua realidade e que não comprometa a saúde financeira familiar, existe ainda um grande desafio para a IES: atender as prioridades e as expectativas de um público que chega cada vez mais heterogêneo e exigente ao ensino superior. É evidente que o processo de frustração e de insatisfação dos alunos afeta diretamente outros indicadores como eficiência na captação de novos alunos, evasão, percepção de imagem de qualidade entre outros, mas esses assuntos ficam para os próximos capítulos.
Fone: Tel: (45)2102-1423