Edição
nº 06– Junho/2006 .....................................................www.hoper.com.br
Artigo
do Mês
O
Futuro dos Cursos Superiores de Tecnologia
Ryon
Braga
A modalidade de graduação tecnológica
ou cursos superiores de tecnologia foi lançada há
pouco mais de uma década e se configurava como a
grande promessa para a expansão do ensino superior
brasileiro nas classes menos favorecidas. Em tese, as pessoas
de menor renda e já inseridas no mercado de trabalho,
poderiam ser muito beneficiadas por uma modalidade de curso
de menor duração, mais barato e voltado às
necessidades específicas do cotidiano profissional.
Apesar
do enorme crescimento da graduação tecnológica
na última década, os resultados ainda são
decepcionantes. No ano 2000 estimava-se que chegaríamos
em 2008 com pelo menos 30% de todos os matriculados no ensino
superior cursando a graduação tecnológica
(afinal de contas, nos EUA, 56% de todos os matriculados no
ensino superior estudam em cursos de curta duração).
No ritmo em que estamos hoje, o patamar de 30% dificilmente
será atingido.
De
1998 até 2004 o número de cursos superiores
de tecnologia no setor privado cresceu 668% e o número
de matrículas cresceu 160% no mesmo período
(gráficos 01 e 02). No entanto, mesmo com todo esse
crescimento, os matriculados nos cursos superiores de tecnologia
representam apenas 3,6% de todas as matrículas do setor
privado.

A oferta
de cursos superiores de tecnologia cresceu exponencialmente
nos últimos anos. No ano 2000 eram oferecidas 26 mil
vagas para a graduação tecnológica (o
equivalente a 2,7% de todas as vagas do ensino superior privado).
Em 2004 foram oferecidas 181 mil vagas (o equivalente a 9,1%
de todas as vagas do ensino superior privado) – gráfico
03.
O
número de ingressantes passou de 15.311 em 1998, para
75.754 em 2004, um percentual de crescimento de 395% no período.
No entanto, os ingressantes na graduação tecnológica
representam apenas 7,5% do total de ingressantes no ensino
superior privado (gráfico 04).
Constata-se
que expansão dos ingressantes não acompanhou
a expansão das vagas, causando uma enorme diluição
da demanda, com relação de ingressante por vaga
de 0,42. Essa relação significa que temos 58%
de vagas ociosas na modalidade de cursos superiores de tecnologia,
acima da ociosidade da graduação tradicional,
que está em torno de 48%. A diluição
da demanda para a graduação tecnológica
pode ser melhor visualizada no gráfico 05.
A grande
quantidade de vagas oferecida na modalidade de graduação
tecnológica se deve a uma "aposta" que o
setor está fazendo no potencial de atração
de alunos dos cursos de curta duração (afinal,
em alguns países europeus e nos EUA, mais de 50% dos
alunos do ensino superior estão em cursos de curta
duração).
Esta
aposta foi motivada pela adequação do curso
de graduação tecnológica a um perfil
de aluno de menor renda, um pouco mais velho, que já
trabalha há algum tempo, que precisa de conhecimentos
práticos e objetivos para melhorar na sua profissão
e, só pode pagar um valor de mensalidade menor do que
o dos cursos de bacharelado.
Atualmente
a área que vem obtendo melhor aceitação
na graduação tecnológica é exatamente
a área de tecnologia da informação e
informática, devido a especificidade de seu conteúdo
(bastante adequado a um curso de dois anos e meio) e também
devido ao fato de não existir conselhos profissionais
nessa área. Os conselhos profissionais (como o CFA,
CFM, OAB, etc), não estão colaborando muito
para a expansão dos superiores de tecnologia, pois
não conseguiram ainda encontrar um enquadramento profissional
adequado aos egressos destes cursos.
A dificuldade de expansão da graduação
tecnológica, que vem frustrando as expectativas, se
deve principalmente a cinco fatores:
1)
Desconhecimento do público quanto às corretas
características desses cursos. As pesquisas Hoper Educacional
mostram que 82% do público-alvo para os cursos superiores
demonstram grande desconhecimento da realidade dos tecnólogos
(confundem com cursos seqüenciais e até mesmo
com cursos técnicos; pensam que não é
curso superior; não tem certeza se o MEC reconhece;
não sabem sobre a validade do diploma, etc).
2)
Falta de maior compreensão e aceitação
do egresso do tecnólogo por parte do mercado de trabalho.
Na área de informática e TI o mercado aceita
razoavelmente bem os egressos dos cursos superiores de tecnologia.
Nas outras áreas ainda predomina o preconceito e certo
menosprezo com relação a qualidade do aluno
formado.
3)
A incompetência do MEC que burocratizou ao máximo
algo que deveria ser simples e dinâmico, para acompanhar
a evolução do mercado.
4)
A imprensa brasileira, que criou uma confusão na mente
das pessoas a respeito da qualidade e validade desses cursos,
ao publicar inúmeras matérias com informações
incorretas e tendenciosas.
5)
As próprias instituições de ensino que
"prostituiram" a oferta de cursos de tecnologia,
lançando cursos sem critérios, sem especificidade,
sem pesquisa de mercado e, em muitos casos, lançaram
cursos tecnológicos a partir de fragmentos da graduação
tradicional.
Continuamos
acreditando que os tecnológos tem muito futuro no Brasil,
pois o país e a população precisam deles,
mas do que jeito que as IES estão fazendo hoje, talvez
elas acabem por “matar” mais uma grande oportunidade.
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