O grande desafio é melhorar a “sala de aula”

Pense numa “sala de aula” tradicional: o aluno entra na sala de aula de uma dada disciplina sem saber o que acontecerá, que assuntos serão abordados ou que atividades serão desenvolvidas. A aula vai começar. O professor começa a falar, o aluno faz algumas anotações. De vez em quando o professor pára de explicar para ditar ou escrever na lousa algumas definições. Enquanto ele escreve, o aluno vai copiando no caderno. Boa parte do tempo é consumida com essas anotações no caderno. Durante as explicações do professor o aluno começa, pela primeira vez, a tomar contado com o assunto tratado. O aluno não sabia o que ia ser abordado, por isso não pôde se preparar antecipadamente. Suas dúvidas são apenas as do momento, ele não teve chance de refletir a respeito do tema ensinado, nenhuma leitura foi previamente recomendada. Mesmo quando convidado a alguma discussão em grupo, o aluno participa de forma improvisada. A aula é uma caixa de surpresas e improvisações. A qualidade da aula depende exclusivamente da capacidade de improvisação e competência momentânea do professor.

A aula termina, a próxima aula de outra disciplina já vai começar. Tudo se repete novamente, com um agravante: o aluno não vê nenhuma conexão entre as duas disciplinas. O professor desconhece o que os outros fizeram. Mesmo quando os assuntos estão necessariamente relacionados, cada professor trabalha isoladamente. Muitas vezes repetindo ou revisando conteúdos.

O curso parece um conjunto de disciplinas independentes ou isoladas, sem planejamento e organização. As consequências negativas para a motivação e a aprendizagem dos alunos são evidentes.

Agora, pense numa “sala de aula” estruturada, previamente planejada:
O professor antecipa, de forma organizada, todas as etapas das aulas: identifica os objetivos que pretende atingir, indica os conteúdos que serão desenvolvidos, com os respectivos textos para a leitura antecipada do aluno, seleciona os procedimentos que utilizará como estratégia de ação (as dinâmicas, os debates, o estudo dirigido, o trabalho em grupo, o estudo de casos, etc.) e prevê quais instrumentos que empregará para avaliar o progresso do aluno (os exercícios de fixação, a redação de texto, a prova escrita, a participação em aula, etc.)

Os professores trabalham em equipe; colaboram no planejamento do curso; elaboram seus planos de ensino e produzem as suas aulas.

É proporcionada uma atmosfera favorável para a aprendizagem, em que há um compromisso com normas e finalidades claras e compartilhadas.

Racionaliza-se o emprego do tempo de aprendizagem, articulando as matérias, seus conteúdos e as seqüências didáticas de modo a evitar duplicidade e repetições desnecessárias.

O professor tem mais tempo para o diálogo e para as explicações sobre o conteúdo dado; nenhum tempo será utilizado para as anotações desnecessárias, uma vez que os textos sobre os assuntos tratados já foram fornecidos antecipadamente aos alunos.

O aluno chegará em sala bem mais preparado; saberá dos objetivos que deverão ser atingidos; terá lido os textos que tratam dos conteúdos a serem abordados; terá feito as tarefas ou exercícios propostos. Enfim, chegará em sala mais apto a verificar por si mesmo seus pontos fortes e fracos, seus avanços e dificuldades, os aspectos em que apresentou um bom desempenho, e aqueles em que precisa melhorar ainda mais.

Os conteúdos das disciplinas passam a ser integrados não só pelo docente no interior da própria disciplina, mas por todos os docentes das diversas disciplinas do curso.

O coordenador do curso acompanha o que está sendo feito em sala de aula, podendo avaliar a coerência das aulas com o projeto pedagógico do curso.

A direção da instituição poderá fazer o planejamento antecipado das necessidades de livros, materiais, laboratórios e equipamentos de forma a garantir a infraestrutura necessária ao bom funcionamento do curso.

Em resumo, no ensino bem planejado:
A “sala de aula” deixa de ser uma “caixa preta”, de surpresas e improvisações. O curso passa a ser percebido como um sistema organizado de disciplinas integradas. As conseqüências positivas para a motivação e aprendizagem dos alunos são evidentes.

Cosme Massi
Consultor associado da Hoper e Coordenador da Consultoria Acadêmica.
cosme@hoper.com.br