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Artigo do mês
Ronaldo Casagrande
fala sobre Diagnóstico
Estratégico de Cursos
Superiores
A proliferação de IES pertencentes a grandes grupos educacionais nas mais diversas regiões brasileiras estão fazendo com que as instituições...
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Email:ronaldo@hoper.com.br
 
 
Edição Jun-2/2009   www.hoper.com.br
Notícias do Setor
• Fundo Advent compra parte da Kroton por R$ 280 milhões...
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Número de alunos de graduação a distância dobra no país...
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MEC estuda usar novo Enem no lugar do Enade para ingressantes...
(Revista Ensino Superior) Leia mais...
 
Cursos inovadores registram maior crescimento...
(Revista Ensino Superior) Leia mais...

Hoper tem sua logomarca e identidade visual modernizadas

 
Com o objetivo de adequar a percepção de valor da marca Hoper à qualidade dos produtos e serviços oferecidos, foi contratado um escritório de design especializado em posicionamento e redesenho de marcas para atualizar a identidade visual da empresa.
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Análise Setorial Hoper do Ensino Superior Privado do Brasil está saindo “do forno”

 
Com informações relevantes para a elaboração de estratégias e para a tomada de decisão das Instituições de Ensino Superior do país, o documento elaborado pela Hoper Estudos de Mercado está em fase final de produção.
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Sexta turma do curso Gestão Sistêmica para Instituições de Ensino encerrou suas atividades em julho

 
Foram 35 instituições de ensino superior, de diversos estados brasileiros e 52 gestores participantes.
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Hoper participa do II Congresso da Educação Superior Particular, realizado em Araxá, MG

 
“O Panorama do Setor de Ensino Privado no Brasil” foi o tema da palestra proferida pelo professor e presidente do Grupo Hoper, Ryon Braga.
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Artigo do Mês

 

Diagnóstico Estratégico de Cursos Superiores

Ronaldo Casagrande
Consultor Hoper
  Email:ronaldo@hoper.com.br
Para avaliar o posicionamento de mercado dos cursos superiores, é necessário ter um diagnóstico preciso e detalhado, conhecer os seus pontos fortes e fragilidades, suas ameaças e oportunidades.
 
Com a implantação das CPA´s - Comissões Próprias de Avaliação - nas Instituições de Ensino Superior, a cultura da avaliação está se consolidando aos poucos. Instituições que há alguns anos desconheciam qualquer processo de avaliação, hoje já elaboram relatórios detalhados, com montanha de informações disponibilizadas em forma de gráficos e tabelas.
 
Em termos dessa avaliação, a quase totalidade das IES a está realizando sob a luz das dimensões do SINAES - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior: políticas de ensino, condições da infra-estrutura física e material, atendimento aos estudantes, corpo docente....esses são apenas alguns exemplos de aspectos encontrados na maioria das avaliações realizadas pelas IES em relação a seus cursos.
 
O problema que identificamos em relação a essas avaliações internas não está no “o que” é avaliado e sim “o como” é realizada a avaliação. Além de muitos instrumentos serem formulados com perguntas vagas e complexas para os alunos responderem, se utilizam de veículos e formas não aconselhadas, como pesquisas via internet, identificadas e não obrigatórias.
 
Pesquisas cujo respondente pode ser identificado fazem com que o avaliador (aluno) sinta-se desconfortável em externalizar o que pensa da instituição e, especialmente, de seus professores, pois teme retalhações. Apesar de sabermos que as instituições não usam, na sua maioria, dados individualizados de alunos, os mesmos não se sentem seguros.
 
Outro problema diz respeito às avaliações realizadas via internet de forma espontânea. Pelo fato de não existir uma amostra representativa dos respondentes, as pesquisas quantitativas tendem a apresentar um alto viés, onde, as médias calculadas, na maioria das vezes, não retratam a realidade. Isso nos faz lembrar de um episódio interessante ocorrido nas eleições presidenciais de 1936 nos EUA. Uma revista norte-americana enviou questionários aos seus leitores pedindo que respondessem em quem votariam para presidente. Recebeu 2,3 milhões de respostas na consulta que indicou que Franklyn Roosevelt perderia por 20 pontos percentuais a eleição. Ele venceu. O Instituto Gallup ouviu apenas 3 mil pessoas e acertou o resultado. O problema é que as pessoas que mandaram o questionário não eram representativas, ou seja, não representavam a população de eleitores. De forma similar o mesmo processo ocorre quando pesquisas vias internet são realizadas nas IES sem uma amostra representativa.

Outra falha comum identificada nas IES é a realização de grupos focais com alunos, tendo como moderadores os próprios coordenadores de curso. Se o aluno não se sente confortável em responder uma pesquisa via internet, onde pode ser identificado, imagine fazer críticas sobre o curso ao seu Coordenador. Por isso enfatizamos de que uma avaliação qualitativa só tem valor quando é imparcial.
 
Entretanto, não basta apenas corrigir a metodologia de avaliação nas IES para se pensar que, com isso, se consegue ter um diagnóstico estratégico do curso. É evidente que as dimensões apontadas pelo SINAES são necessárias serem avaliadas, pois, visam, em última instância, avaliar a qualidade do curso. Com o ENADE e outros indicadores oficiais é estratégico monitorar a qualidade dos cursos. Porém, essa avaliação não é suficiente. Serve apenas, quando bem estruturada, para identificar os pontos fortes e as fragilidades dos cursos e da instituição.
 
Existe, entretanto, o aspecto mercadológico que não é contemplado de forma aprofundada no SINAES. Ele serve para avaliar quais as ameaças e oportunidades para os cursos. Como já informado, o SINAES tem como objetivo avaliar o “produto” da IES e não o negócio em si. Para o Governo não é importante saber se os cursos de sua instituição estão ganhando ou perdendo mercado em relação aos concorrentes, se a imagem que os prospects têm da sua instituição é negativa, se a visibilidade de seus cursos é ofuscada pelos cursos das outras IES, nem se os concorrentes vêm “roubando” seus alunos. Essas informações são importantes somente para a sua própria instituição (e para seus concorrentes).
 
Um diagnóstico estratégico bem elaborado de um curso superior serve para identificar o seu posicionamento de mercado. Para isso é necessária uma boa avaliação interna (o que é possível de ser feita através dos aspectos apontados pelo SINAES) e uma avaliação mercadológica detalhada. Após a consolidação diagnóstica das avaliações macro e microambiental é possível ter um real diagnóstico do curso. Faça esse exercío! Conheça bem seus cursos antes que o concorrente o faça.

* Ronaldo Casagrande é Consultor da Hoper atuando nas áreas de Planejamento Estratégico, Gestão e Controle de Instituições de Ensino. Foi Diretor da agência para o desenvolvimento da educação profissional do Estado do Paraná. Engenheiro Eletrônico com Doutorado em Métodos Numéricos, Mestre em Qualidade e Especialista em Planejamento e Gestão de Negócios.

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Fundo Advent compra parte da Kroton por R$ 280 milhões

A rede mineira Kroton Educacional - uma das maiores organizações educacionais privadas do Brasil, proprietária da rede de ensino Pitágoras - e empresa global de private equity Advent International anunciaram nesta quarta-feira (24) a assinatura de um acordo pelo qual a Pitágoras Administração e Participação (PAP), holding que detém 55% das ações da da Kroton, receberá um aporte de 280 milhões de reais. Do total, 220 milhões serão destinados a um aumento do capital da Kroton por meio de uma colocação privada de até 387,9 milhões de ações. Com a operação, o fundo Advent se tornará sócio da PAP com 50% das ações da holding, passando a deter indiretamente cerca de 28% do capital total da Kroton.
 
O investimento na Kroton é o 15º já realizado pela Advent no Brasil desde 1997, quando a empresa iniciou suas operações no país. Os recursos utilizados nesta operação virão do fundo disponibilizado pela Advent Internacional para a América Latina com valor total de 1,3 bilhão de dólares.
 
A Advent também tem investimentos na CETIP - maior depositária de títulos privados de renda fixa -, na rede de varejo Quero-Quero, além das redes de restaurantes Frango Assado e Viena.
Fundada em 1966, a Kroton conta com 654 escolas de ensino básico associadas no Brasil que utilizam o sistema de ensino Pitágoras. No ensino superior, tem 17 faculdades Pitágoras e 11 unidades especializadas em cursos superiores com a marca INED, o que resulta em mais de 43 mil alunos no ensino superior e 226 mil alunos no ensino básico e por meio do Projecta, voltado para a área pública.
 
Desde julho de 2007, quando levantou 455,8 milhões de reais com sua abertura de capital na Bovespa, a Kroton iniciou uma agressiva estratégia de expansão que incluiu a aquisição de 12 instituições de ensino superior e a abertura de novas unidades. Atualmente a Kroton é a companhia do setor educacional que mais cresce no Brasil, com receita líquida de 279,6 milhões de reais e Ebitda de 51,5 milhões de reais em 2008. No primeiro trimestre de 2009, a companhia registrou uma receita líquida de 107,5 milhões de reais e Ebitda de 35,7 milhões de reais - um salto de 51,4% e 37,6%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior.
O fundo Advent International é uma das principais empresas de private equity com atuação na América Latina. Desde que iniciou suas atividades na região, há 13 anos, a Advent já investiu em mais de 40 empresas, com valor combinado superior a 6 bilhões de dólares. No Brasil desde 1997, a empresa já realizou vários investimentos diretos e indiretos em setores como serviços financeiros, tecnologia da informação e telecomunicações e alimentação.

 


Fonte: Portal Exame

 


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Hoper participa do II Congresso da Educação Superior Particular, realizado em Araxá, MG

 
Entre os dias 18 e 20 de junho, na cidade mineira de Araxá, aconteceu o II Congresso da Educação Superior Particular, com o tema “Crise, realidade, cenários, tendências e futuro da educação brasileira”. Promovido pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, em parceria com o Semesp, o evento contou com a participação das principais lideranças do ensino superior brasileiro.
 
 

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Hoper tem sua logomarca e identidade visual modernizadas

 
Há mais de uma década a Hoper vem se consolidando no mercado brasileiro, conquistando a confiança e o respeito de seus clientes. Reconhecida pela imprensa especializada como uma das mais importantes fontes de informação em ensino superior no Brasil, a Hoper inicia agora uma nova fase, ao mesmo tempo em que moderniza sua identidade visual de forma profissional e coerente com seu novo posicionamento.

Buscando reforçar a leitura e a memorização do nome, o escritório da Verdi Design, de Porto Alegre, RS sugeriu a eliminação do uso de um símbolo, criando um logotipo simples e de alto impacto. As cores também foram alteradas buscando agregar maior seriedade e credibilidade à marca. O azul foi escurecido e a cor laranja foi substituída por uma tonalidade sóbria de vermelho. Além do logotipo, foi criada uma linguagem visual que se utiliza do elemento base do conhecimento humano, o alfabeto. As letras são aplicadas de maneira contínua, formado uma padronagem leve e sofisticada. Também foram alinhados os descritivos dos serviços oferecidos pela Hoper, que consolidam essa nova fase da empresa:
  • Consultoria
  • Estudo de Mercado
  • Educação
  • Tecnologia

  • Antiga
    Nova
Aguardem, em breve a nova programação visual dessa Bússola Educacional e do Portal Hoper.

 

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Sexta turma do curso Gestão Sistêmica para Instituições de Ensino encerrou suas atividades em junho

 
As aulas se deram em quatro meses, um encontro por mês, totalizando 24 aulas. Foi apresentada uma visão geral de todas as áreas significativas para o sucesso de uma instituição, como forma de instruir os participantes a aplicarem de maneira mais assertiva os conceitos de gestão profissional dentro de uma IES. Área acadêmica, financeira, diagnóstico e planejamento estratégico, área pedagógica, de governança corporativa, de marketing e web marketing, modelagem organizacional, entre outras. As novidades deste ano no curso foram os enfoques nas áreas de Sustentabilidade Ambiental em Instituições de Ensino, apresentada pelo consultor da Hoper Alexandre Balthazar e Capacitação Docente e Discente para a Realização da Prova do ENADE, pelo professor convidado Laênio Loche.

No próximo ano o curso terá início em março e as IES interessadas já podem reservar suas vagas pelo email: hoper@hoper.com.br ou pelo telefone (45) 3029-1333.
 
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Análise Setorial Hoper do Ensino Superior Privado do Brasil está saindo “do forno”

 
A Análise Setorial Hoper é um documento que auxilia Instituições de ensino, empresas mantenedoras, grupos educacionais, companhias abertas, bancos, gestoras de investimentos e fundos de private equity, no Brasil e no exterior a conhecer e compreender o complexo e promissor mercado da educação privada no Brasil.
A Análise Setorial Hoper de 2006, em sua segunda edição, foi utilizada por todas as empresas educacionais que realizaram a oferta primária de ações (IPO) na BM&FBOVESPA desde 2007, em função da abrangência das informações mercadológicas e das análises estratégicas que apresentou.
Em sua terceira edição, o documento da Hoper Estudos de Mercado destaca-se por apresentar as características gerais do setor, a projeção de crescimento da demanda do ensino superior privado até 2012 e o movimento de consolidação do ensino superior privado. Aguardem!
 

 
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Número de alunos de graduação a distância dobra no país

 
Cada vez mais alunos de graduação ligam o computador, inserem a senha e estão em sala de aula. O número de matriculados em cursos superiores a distância cresceu 106% entre 2007 e 2008, segundo o MEC (Ministério da Educação).
 
No ano passado, 109 instituições de ensino públicas e privadas receberam 761.099 matrículas nessa modalidade de EAD (educação a distância).
 
Mesmo assim, a oferta de vagas é maior que a procura: em todo o país há mais de 1,5 milhão de vagas de curso superior a distância, de acordo com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Para o secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, as instituições estão incorporando a modalidade de ensino a distância. O resultado disso, afirma, é que a quantidade de alunos dobrou de 2007 para 2008 e tende a continuar a crescer.
 
Entretanto, há questionamento sobre a qualidade dos cursos. Especialistas em recursos humanos apontam a recepção dúbia que esse diploma tem no mercado de trabalho.
 
No Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, que afere o rendimento dos alunos de graduação) divulgado em 2007, os alunos de ensino a distância saíram-se melhor do que os de cursos presenciais em 9 das 13 áreas que compartilham, em cursos como ciências sociais, pedagogia e turismo.
Cursar graduação a distância não significa ficar o tempo inteiro isolado. É necessário, pela legislação, que no mínimo 20% do total de horas-aula dos cursos credenciados pelo MEC seja presencial.
 
Canto de estudos
 
Mas para estudar é preciso concentração, diz Luciana Bispo de Araújo, 30, que cursa gestão de marketing na Unip (Universidade Paulista). Mãe de dois filhos, Araújo usa o período noturno -depois de colocar as crianças na cama- para estudar em silêncio.
 
Ela conta que não conseguiria cursar uma faculdade tendo de ir às aulas todos os dias num mesmo horário. Araújo considera que os preços das graduações presencial e a distância são similares. "A economia vem dos gastos adicionais, como lanche e condução", observa.

 
Fonte: Folha Online
 
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MEC estuda usar novo Enem no lugar do Enade para ingressantes

 
As mudanças anunciadas pelo Ministério da Educação na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vão alterar mais o cotidiano das instituições de ensino superior particulares do que se poderia supor num primeiro momento. A partir do novo modelo nacional, os alunos terão maior poder de influência nos processos de avaliação e de construção de imagem das instituições. Isso porque o Ministério estuda substituir o Enade aplicado aos ingressantes do ensino superior pelo novo exame, o que influencia diretamente na nota de indicadores como o Conceito Preliminar de Cursos (CPC) e o Índice Geral de Cursos (IGC). Além disso, com a divulgação das notas, as instituições deverão passar a disputar a imagem de quem tem os melhores estudantes.
 
Conceitualmente, a substituição da prova feita pelos ingressantes no âmbito do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já está formatada e foi, inclusive, testada com sucesso. Contudo, como existe uma série de questões logísticas para operacionalizar a substituição - somada a todas as complicações inerentes à transformação do Enem num vestibular único para as instituições federais ainda neste ano -, a novidade deverá ser implementada apenas em 2010.
 
O que o Ministério da Educação pretende é transformar o resultado do Enem numa linha de base para medir as competências e habilidades dominadas pelo aluno no momento em que ele conclui o ensino médio, ou no ano anterior ao seu ingresso na faculdade, já que o Exame continuará aberto a todas as pessoas que se proponham a passar pela avaliação, desde que tenham concluído o ensino médio.
 
Na prática, entretanto, o modelo ficaria misto, já que não serão todos os alunos que farão obrigatoriamente o Enem. A proposta prevê que esses estudantes farão a prova do Enade ao final do primeiro ano de graduação; mas essa prova terá novo formato, assumindo características semelhantes às do Enem e ficará restrita aos conhecimentos gerais de Língua Portuguesa e Matemática.
 
Isso é tecnicamente possível porque a espinha dorsal do Enem, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), também será adotada na prova aplicada aos alunos ingressantes, estabelecendo uma base comum para comparar os alunos que passaram pelo Enem e aqueles que fizeram o Enade.
 
Simplificando, pode-se dizer que a TRI estabelece uma "régua" unificada para medir o rendimento, já que ela permite que se elaborem exames para mensurar as habilidades dos indivíduos por meio de uma prova com questões de diferentes níveis de dificuldade.
 
O nível de habilidade dos alunos é medido a partir do conjunto de itens que ele acerta - quanto maior o número de acertos em questões difíceis, maior a pontuação.
 
Se for utilizado o mesmo banco de itens (questões) para elaborar ambas as provas e se as duas tiverem a mesma proporção de questões fáceis, médias e difíceis, existe uniformidade entre os dois grupos de iniciantes - aqueles que fizeram o Enem e os que fizeram o Enade.
 
Outro aspecto que levanta questionamentos é a comparação entre o rendimento inicial e o final do aluno. De acordo coma proposta em discussão, a comparação será possível a partir de um modelo matemático a ser desenvolvido para viabilizar a comparação do desempenho do aluno no Enem (ou na avaliação de entrada do Enade) com aquele obtido ao final da graduação. A prova de entrada, portanto, seria genérica, e o Enade aplicado ao final do curso permaneceria o mesmo, mantendo as questões de conhecimento específico.
 
Em linhas gerais, esse modelo matemático deve fornecer parâmetros para mensurar a evolução do aluno, a partir de referências que estabelecerão um grau de desenvolvimento esperado. Isso, de certa maneira, já é feito por meio do Índice de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD).
 
O que dizem os defensores da nova proposta é que, com o Enem, a medida da evolução do aluno fica mais precisa, por consistir em uma linha de base mais fidedigna para se efetuar a comparação. Como o aluno faz o Enem antes de entrar na faculdade, o resultado obtido não é influenciado pela experiência do primeiro ano de vida universitária. Além disso, o aluno terá mais comprometimento com o Exame, que serve também para a admissão universitária.
 
A principal influência da medida do valor agregado para as instituições de ensino será para efeitos de regulação, ou seja, para a concessão de autorização de novas instituições e reconhecimento de cursos, por exemplo. Além de ampliar o poder do aluno, que agora passa a influenciar os índices como CPC e IGC com duas notas, a crença no Ministério da Educação é a de que, dentro do novo modelo, será possível identificar, por exemplo, uma instituição ou curso que tenha tido um conceito ruim no Enade, mas que desenvolveu um bom trabalho, agregando muito conhecimento aos alunos. Esse efeito pode influir positivamente na avaliação, além de permitir a construção de indicadores mais eficazes para medir a qualidade do ensino.
Além de interferir nas questões que envolvem o processo de regulação, a forma como o novo Enem será usado nos processos seletivos pode vir a afetar, de maneira positiva ou negativa, a imagem das instituições de ensino superior - e mesmo criar um ranking de qualidade baseado na nota dos alunos ingressantes. Isso porque muitas instituições deverão adotar uma nota mínima (nota de corte), o que poderá acarretar duas consequências: caso adote uma nota muito alta, pode ficar com vagas ociosas; caso adote uma nota muito baixa, pode ser vista como uma instituição pouco exigente.
 
Para Marcos Facó, superintendente de marketing da FGV, algumas instituições vão conseguir preencher suas vagas com notas de corte bem altas, acima de 8, por exemplo. Essas serão muito bem-vistas e consideradas de alta qualidade. Outras vão aceitar qualquer nota, mesmo as muito baixas. Essas tendem a mencionar apenas que aceitam o Enem e não adotam nota de corte. "Nesses casos, a estratégia de marketing será frisar que têm, em seus quadros de alunos, cinco estudantes com nota 10 no Enem, por exemplo."
 
Roberto Lobo, diretor do Instituto Lobo, consultoria especializada em educação, frisa que muitos alunos querem conviver com bons estudantes e estão dispostos até a pagar mais por isto. "Esse efeito de dizer que vieram os alunos com melhores notas no Enem será cada vez mais explorado pelas instituições que buscam este aluno diferenciado", acredita o consultor.
Facó lembra que atualmente não há como comparar o grau de dificuldade dos diversos processos seletivos para afirmar qual instituição é mais ou menos exigente. Com as notas do Enem haverá uma qualificação clara do aluno, o que pode vir a formar um ranking qualitativo.
 
Por enquanto, as instituições de ensino superior particulares ainda aguardam a consolidação do novo Enem para decidir se irão usá-lo em substituição ao vestibular. A tendência é manter um sistema híbrido enquanto se aguardam os resultados da primeira prova.
 
Marcos Facó não descarta a hipótese de a FGV vir a trocar seu vestibular pelas notas do Enem, mas menciona como problema o calendário incerto: a instituição ainda não sabe quando o governo irá divulgar as notas do exame. E, mesmo depois de liberadas as notas, a instituição ainda terá de esperar pelo resultado da seleção nas universidades federais e em outras instituições para que o aluno faça sua opção e, depois, a matrícula. No modelo atual do vestibular acontece situação parecida, mas, segundo Facó, existe um processo claro de datas e prazos.
 
Outro entrave para a adoção das notas do Enem como único critério de seleção nas instituições privadas é que algumas buscam, em seus processos seletivos, um perfil determinado de alunos. Ou a complexidade de cursos que exigem provas de conhecimento específico para o ingresso, como música ou arquitetura.
 
Além disso, a instituição pode ver como vantajoso mesclar perfis. É o caso, por exemplo, da PUC-RJ. Alfredo Jefferson, coordenador central de graduação da PUC-RJ, diz que o assunto ainda está sendo debatido pelo colegiado, mas a universidade não pretende alterar sua forma de seleção, que reserva 50% das vagas para alunos que fazem o vestibular e 50% para alunos do Enem. "O Enem tradicional tem trazido alunos com formação mais genérica e mais maduros, mas não sei como vai ser a nova prova. O vestibular nos traz um tipo de aluno com conhecimento mais específico. São alunos bons e de perfis diferentes", explica Jefferson.
 
Um outro problema é a questão da segurança. Roberto Lobo lembra que há um enorme aparato para tentar conter a fraude nos vestibulares mais concorridos. Há organizações de vestibulares, inclusive, que usam equipamentos para bloquear sinal de rádio ou cola eletrônica. Com o Enem, a responsabilidade pela segurança passa para o Estado. "Não acredito que o governo irá garantir esse grau de controle em todas as salas de aula do país onde a prova do Enem esteja sendo feita", diz.
 
Facó pensa de forma parecida. Segundo o superintendente de marketing da FGV, a preocupação com a fraude é um dos elementos que a instituição está considerando antes de decidir como irá usar a nota do novo Enem. "Não teremos como ter 100% de certeza de que a prova foi feita com imparcialidade. Hoje, no vestibular da FGV, monitoramos o uso de aparelhos eletrônicos em sala, as idas ao banheiro e até usamos um leitor de impressão digital na hora da prova e na hora da matrícula", diz Facó. Segundo ele, talvez a FGV opte por adotar algum sistema secundário ou de apoio para seleção mais criteriosa. "São todos esses fatores que estamos tentando levantar antes de tomar qualquer decisão. Eles vão surgindo com as discussões. É tudo muito novo ainda."
 
Então, quais as vantagens para as instituições privadas adotarem o novo Enem como critério de seleção? Uma delas é o caráter nacional do exame. Facó diz que de 8% a 10% dos alunos da FGV vêm de outros estados. Caso adote o Enem como prova única, esse número poderá aumentar para 20% ou 30%. "A unificação da prova facilita a vinda de alunos. A maratona de vestibulares acaba", afirma Facó.
 
Para Jefferson, aceitar a nota do Enem em processo paralelo ao vestibular é uma forma de dar mais tranquilidade ao aluno. "Alivia um pouco a pressão de ter que ir bem em uma única prova, em um único dia", diz o coordenador central de graduação da PUC-RJ. Na universidade, os candidatos podem concorrer das duas formas e um software escolhe a melhor opção para o aluno.
 
Usar as notas do Enem também pode ser uma forma de conseguir mais alunos e democratizar o acesso ao ensino superior. Paulo Alonso, reitor do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), acredita que a melhor forma de atender seu público alvo é multiplicar as formas de acesso ao ensino superior, o que inclui permitir a matrícula de alunos oriundos do novo Enem. Alonso diz, por exemplo, que, após o prazo de três anos para a consolidação do novo Enem, a UniverCidade poderá compatibilizá-lo com as políticas afirmativas já adotadas no centro universitário e com outras modalidades de seleção. "Desse modo, poderá permitir preencher as vagas remanescentes ao fim da sua seleção", explica Alonso.

 

Fonte:Revista Ensino Superior
 
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Cursos inovadores registram maior crescimento

 
Historicamente, os alunos brasileiros preferem seguir carreiras tradicionais, fato comprovado pela concentração da demanda em cursos como direito e administração. Mas levantamento realizado pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) com base nos dados do Censo da Educação Superior 2007 mostra que as instituições que investiram em graduações ligadas às "profissões do futuro", nas áreas de genética, meio ambiente, sustentabilidade, midiática, alta tecnologia ou empreendedorismo conseguiram bons resultados. Principalmente entre os cursos superiores de tecnologia.
 
Nos últimos dois anos, cresceu significativamente a variação de alunos ingressantes em cursos como gestão empreendedora ou processos gerenciais (528%), extração de petróleo e gás (174%), gestão em logística (87,9%), gastronomia (59,6%), tecnologia de radiologia (31%) ou administração de redes (21,6%).
 
O resultado é que as instituições de ensino superior brasileiras têm conseguido acompanhar as mudanças no mercado de trabalho mundial, ampliando a oferta de novos cursos e inserindo conteúdos diferenciados em graduações tradicionais como administração de empresas, medicina ou engenharia.
 
"As universidades estão se adequando rapidamente às mudanças no mercado de trabalho e aos cursos tecnólogos, de curta duração, que mesmo mais baratos dobraram de tamanho nos últimos dois anos, mas não chegam a incomodar as profissões tradicionais, ainda as mais procuradas em números absolutos", avalia o diretor-executivo do Semesp, Rodrigo Capelato.
 
Embora o curso tecnólogo de gestão empreendedora ou de processos gerenciais tenha crescido 528% em número de ingressantes, eles representam hoje apenas 8.555 alunos em todo o Brasil, da mesma forma que o de extração de petróleo e gás, o segundo a apresentar maior variação, responde por apenas 4.263 alunos.
Enquanto isso, os chamados cursos tradicionais, como administração, possuem mais de 217 mil alunos matriculados, apesar de terem apresentado uma queda de 9% no comparativo 2006/2007. O curso de direito cresceu apenas 1,7% no mesmo período, mas também representa um montante de mais de 157 mil alunos.
 
"Os cursos de direito e administração ainda representam 1/3 do total de alunos matriculados hoje, tanto em universidades públicas como privadas", explica Carlos Monteiro, diretor -presidente da CM Consultoria de Administração e Marketing.
Os números do Semesp confirmam essa tendência: os cursos mais procurados nas instituições privadas são administração, com 17% das matrículas; direito, com 15,1%, e em seguida, bem mais atrás, enfermagem e pedagogia, com 5% cada, e comunicação social e ciências contábeis, com pouco mais de 4%.
 
"Os cursos imperiais (medicina, direito e engenharia) continuam dando as cartas. A mentalidade das nossas instituições de ensino, dos seus gestores e professores ainda é muito refratária e vivemos em um país de bacharéis, como no século XIX," acredita Carlos Monteiro.
 
A opinião do consultor está baseada em números do mercado que mostram que, apesar de os cursos de formação tecnológica viverem um bom momento, eles ainda representam um universo de pouco mais de 6% do total de matrículas no ensino superior . "Ou seja, o Brasil ainda está na contramão do mundo, já que em todas as outras grandes nações a procura por graduação tecnológica, cursos de curta duração ou de educação a distância, desde 2002, é infinitamente maior do que por graduação normal e presencial", diz Monteiro.
 
Marisa da Silva, consultora de carreira da Career Center, empresa especializada em Gestão Estratégica em RH e Carreira, acredita que a oferta ainda está diretamente ligada a questões culturais.
 
"Nossos estudantes têm uma forte tendência a seguir a área de Humanas e são seduzidos pelas carreiras midiáticas como publicidade e propaganda, jornalismo, mídias digitais ou artes cênicas, mas a maior carência do Brasil ainda está na área de exatas."
 
A executiva defende uma nova formação profissional no país, que seja capaz de evitar o desperdício de recursos financeiros na educação e de tempo na construção de uma mão de obra cada vez mais qualificada. "O que mais acontece hoje é o jovem se encantar com as profissões relacionadas à mídia, com carreiras glamourosas e depois perceber que a profissão que escolheu não é nada daquilo que ele imaginava. E vem a frustração e o retrato de um profissional infeliz", define.
 
Para Carlos Monteiro, também cabe às instituições de ensino agirem para mudar esse cenário. "O futuro não é loteria. As decisões sobre o futuro devem ser tomadas no presente e as instituições precisam definir seus portfólios hoje para projetarem o futuro. Os cursos de ensino a distância, por exemplo, vão crescer muito mais e precisam ser vistos e aceitos como uma modalidade estratégica de ensino. Trata-se de uma questão de tendência mundial pela escolha de um modelo híbrido de educação."
 
Exemplo de carreira hereditária, mas que cada vez possui mais demanda de profissionais, a engenharia cresce bastante, tanto no modelo tradicional de graduação presencial como nos de cursos superiores de tecnologia, de curta duração. Os diversos ramos da área, como engenharia de produção, agrícola, eletrônica, mecânica, civil, elétrica ou nuclear, aparecem todo ano na lista dos cursos mais procurados pelos vestibulandos em todas as regiões do Brasil. No Sul e no Sudeste, por exemplo, a engenharia tem sido sempre a primeira colocada entre os cursos mais tradicionais.
 
Do outro lado da moeda estão cursos como normal superior, formação de professor, letras, matemática e turismo, que têm registrado uma curva descendente ano a ano no número de alunos ingressantes, e com percentuais muito significativos, que podem indicar não ser um bom caminho para as projeções futuras das instituições de ensino superior. Apesar disso, muitas podem continar a manter essas graduações por uma questão de decisão estratégica, como o perfil da instituição, ou para ajudar no esfoço pela ampliação e melhora da formação de professores.
 
O quadro geral parece estar na adoção de um novo modelo educacional de ensino superior, muito mais flexível e facilmente adaptável às demandas de uma nova sociedade e de um novo mercado de trabalho.
 
Fonte: Revista Ensino Superior
 
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