Para avaliar o posicionamento de mercado dos cursos
superiores, é necessário ter um diagnóstico preciso
e detalhado, conhecer os seus pontos fortes e fragilidades, suas ameaças
e oportunidades.
Com a implantação das CPA´s
- Comissões Próprias de Avaliação - nas
Instituições de Ensino Superior, a cultura da avaliação
está se consolidando aos poucos. Instituições
que há alguns anos desconheciam qualquer processo de avaliação,
hoje já elaboram relatórios detalhados, com montanha
de informações disponibilizadas em forma de gráficos
e tabelas.
Em termos dessa avaliação, a quase
totalidade das IES a está realizando sob a luz das dimensões
do SINAES - Sistema Nacional de Avaliação da Educação
Superior: políticas de ensino, condições da infra-estrutura
física e material, atendimento aos estudantes, corpo docente....esses
são apenas alguns exemplos de aspectos encontrados na maioria
das avaliações realizadas pelas IES em relação
a seus cursos.
O problema que identificamos em relação
a essas avaliações internas não está no
“o que” é avaliado e sim “o como” é
realizada a avaliação. Além de muitos instrumentos
serem formulados com perguntas vagas e complexas para os alunos responderem,
se utilizam de veículos e formas não aconselhadas, como
pesquisas via internet, identificadas e não obrigatórias.
Pesquisas cujo respondente pode ser identificado
fazem com que o avaliador (aluno) sinta-se desconfortável em
externalizar o que pensa da instituição e, especialmente,
de seus professores, pois teme retalhações. Apesar de
sabermos que as instituições não usam, na sua
maioria, dados individualizados de alunos, os mesmos não se
sentem seguros.
Outro problema diz respeito às avaliações
realizadas via internet de forma espontânea. Pelo fato de não
existir uma amostra representativa dos respondentes, as pesquisas
quantitativas tendem a apresentar um alto viés, onde, as médias
calculadas, na maioria das vezes, não retratam a realidade.
Isso nos faz lembrar de um episódio interessante ocorrido nas
eleições presidenciais de 1936 nos EUA. Uma revista
norte-americana enviou questionários aos seus leitores pedindo
que respondessem em quem votariam para presidente. Recebeu 2,3 milhões
de respostas na consulta que indicou que Franklyn Roosevelt perderia
por 20 pontos percentuais a eleição. Ele venceu. O Instituto
Gallup ouviu apenas 3 mil pessoas e acertou o resultado. O problema
é que as pessoas que mandaram o questionário não
eram representativas, ou seja, não representavam a população
de eleitores. De forma similar o mesmo processo ocorre quando pesquisas
vias internet são realizadas nas IES sem uma amostra representativa.
Outra falha comum identificada nas IES é a realização
de grupos focais com alunos, tendo como moderadores os próprios
coordenadores de curso. Se o aluno não se sente confortável
em responder uma pesquisa via internet, onde pode ser identificado,
imagine fazer críticas sobre o curso ao seu Coordenador. Por
isso enfatizamos de que uma avaliação qualitativa só
tem valor quando é imparcial.
Entretanto, não basta apenas corrigir a metodologia
de avaliação nas IES para se pensar que, com isso, se
consegue ter um diagnóstico estratégico do curso. É
evidente que as dimensões apontadas pelo SINAES são
necessárias serem avaliadas, pois, visam, em última
instância, avaliar a qualidade do curso. Com o ENADE e outros
indicadores oficiais é estratégico monitorar a qualidade
dos cursos. Porém, essa avaliação não
é suficiente. Serve apenas, quando bem estruturada, para identificar
os pontos fortes e as fragilidades dos cursos e da instituição.
Existe, entretanto, o aspecto mercadológico
que não é contemplado de forma aprofundada no SINAES.
Ele serve para avaliar quais as ameaças e oportunidades para
os cursos. Como já informado, o SINAES tem como objetivo avaliar
o “produto” da IES e não o negócio em si.
Para o Governo não é importante saber se os cursos de
sua instituição estão ganhando ou perdendo mercado
em relação aos concorrentes, se a imagem que os prospects
têm da sua instituição é negativa, se a
visibilidade de seus cursos é ofuscada pelos cursos das outras
IES, nem se os concorrentes vêm “roubando” seus
alunos. Essas informações são importantes somente
para a sua própria instituição (e para seus concorrentes).
Um diagnóstico estratégico bem elaborado
de um curso superior serve para identificar o seu posicionamento de
mercado. Para isso é necessária uma boa avaliação
interna (o que é possível de ser feita através
dos aspectos apontados pelo SINAES) e uma avaliação
mercadológica detalhada. Após a consolidação
diagnóstica das avaliações macro e microambiental
é possível ter um real diagnóstico do curso.
Faça esse exercío! Conheça bem seus cursos antes
que o concorrente o faça.
* Ronaldo Casagrande é Consultor
da Hoper atuando nas áreas de Planejamento Estratégico,
Gestão e Controle de Instituições de Ensino.
Foi Diretor da agência para o desenvolvimento da educação
profissional do Estado do Paraná. Engenheiro Eletrônico
com Doutorado em Métodos Numéricos, Mestre em Qualidade
e Especialista em Planejamento e Gestão de Negócios.
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Sexta turma do curso Gestão Sistêmica
para Instituições de Ensino encerrou suas
atividades em junho |
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As aulas se deram em quatro meses, um encontro por
mês, totalizando 24 aulas. Foi apresentada uma visão
geral de todas as áreas significativas para o sucesso de uma
instituição, como forma de instruir os participantes
a aplicarem de maneira mais assertiva os conceitos de gestão
profissional dentro de uma IES. Área acadêmica, financeira,
diagnóstico e planejamento estratégico, área
pedagógica, de governança corporativa, de marketing
e web marketing, modelagem organizacional, entre outras. As novidades
deste ano no curso foram os enfoques nas áreas de Sustentabilidade
Ambiental em Instituições de Ensino, apresentada pelo
consultor da Hoper Alexandre Balthazar e Capacitação
Docente e Discente para a Realização da Prova do ENADE,
pelo professor convidado Laênio Loche.
No próximo ano o curso terá início
em março e as IES interessadas já podem reservar suas
vagas pelo email: hoper@hoper.com.br ou pelo telefone (45) 3029-1333.
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Análise Setorial Hoper do Ensino Superior
Privado do Brasil está saindo “do forno” |
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A Análise
Setorial Hoper é um documento que auxilia Instituições
de ensino, empresas mantenedoras, grupos educacionais, companhias
abertas, bancos, gestoras de investimentos e fundos de private
equity, no Brasil e no exterior a conhecer e compreender o complexo
e promissor mercado da educação privada no Brasil.
A Análise Setorial Hoper de 2006, em
sua segunda edição, foi utilizada por todas as
empresas educacionais que realizaram a oferta primária
de ações (IPO) na BM&FBOVESPA desde 2007,
em função da abrangência das informações
mercadológicas e das análises estratégicas
que apresentou.
Em sua terceira edição, o documento
da Hoper Estudos de Mercado destaca-se por
apresentar as características gerais do setor, a projeção
de crescimento da demanda do ensino superior privado até
2012 e o movimento de consolidação do ensino superior
privado. Aguardem!
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Número de alunos de graduação
a distância dobra no país |
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Cada vez mais alunos de graduação
ligam o computador, inserem a senha e estão em sala de aula.
O número de matriculados em cursos superiores a distância
cresceu 106% entre 2007 e 2008, segundo o MEC (Ministério da
Educação).
No ano passado, 109 instituições de
ensino públicas e privadas receberam 761.099 matrículas
nessa modalidade de EAD (educação a distância).
Mesmo assim, a oferta de vagas é maior que
a procura: em todo o país há mais de 1,5 milhão
de vagas de curso superior a distância, de acordo com o Inep
(Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira).
Para o secretário de Educação
a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, as instituições
estão incorporando a modalidade de ensino a distância.
O resultado disso, afirma, é que a quantidade de alunos dobrou
de 2007 para 2008 e tende a continuar a crescer.
Entretanto, há questionamento sobre a qualidade
dos cursos. Especialistas em recursos humanos apontam a recepção
dúbia que esse diploma tem no mercado de trabalho.
No Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes,
que afere o rendimento dos alunos de graduação) divulgado
em 2007, os alunos de ensino a distância saíram-se melhor
do que os de cursos presenciais em 9 das 13 áreas que compartilham,
em cursos como ciências sociais, pedagogia e turismo.
Cursar graduação a distância
não significa ficar o tempo inteiro isolado. É necessário,
pela legislação, que no mínimo 20% do total de
horas-aula dos cursos credenciados pelo MEC seja presencial.
Canto de estudos
Mas para estudar é preciso concentração,
diz Luciana Bispo de Araújo, 30, que cursa gestão de
marketing na Unip (Universidade Paulista). Mãe de dois filhos,
Araújo usa o período noturno -depois de colocar as crianças
na cama- para estudar em silêncio.
Ela conta que não conseguiria cursar uma
faculdade tendo de ir às aulas todos os dias num mesmo horário.
Araújo considera que os preços das graduações
presencial e a distância são similares. "A economia
vem dos gastos adicionais, como lanche e condução",
observa.
Fonte: Folha Online
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MEC estuda usar novo Enem no lugar do Enade para ingressantes |
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As mudanças anunciadas pelo Ministério
da Educação na prova do Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) vão alterar mais o cotidiano das instituições
de ensino superior particulares do que se poderia supor num primeiro
momento. A partir do novo modelo nacional, os alunos terão
maior poder de influência nos processos de avaliação
e de construção de imagem das instituições.
Isso porque o Ministério estuda substituir o Enade aplicado
aos ingressantes do ensino superior pelo novo exame, o que influencia
diretamente na nota de indicadores como o Conceito Preliminar de Cursos
(CPC) e o Índice Geral de Cursos (IGC). Além disso,
com a divulgação das notas, as instituições
deverão passar a disputar a imagem de quem tem os melhores
estudantes.
Conceitualmente, a substituição da
prova feita pelos ingressantes no âmbito do Exame Nacional de
Desempenho de Estudantes (Enade) pelo Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) já está formatada e foi, inclusive, testada com
sucesso. Contudo, como existe uma série de questões
logísticas para operacionalizar a substituição
- somada a todas as complicações inerentes à
transformação do Enem num vestibular único para
as instituições federais ainda neste ano -, a novidade
deverá ser implementada apenas em 2010.
O que o Ministério da Educação
pretende é transformar o resultado do Enem numa linha de base
para medir as competências e habilidades dominadas pelo aluno
no momento em que ele conclui o ensino médio, ou no ano anterior
ao seu ingresso na faculdade, já que o Exame continuará
aberto a todas as pessoas que se proponham a passar pela avaliação,
desde que tenham concluído o ensino médio.
Na prática, entretanto, o modelo ficaria
misto, já que não serão todos os alunos que farão
obrigatoriamente o Enem. A proposta prevê que esses estudantes
farão a prova do Enade ao final do primeiro ano de graduação;
mas essa prova terá novo formato, assumindo características
semelhantes às do Enem e ficará restrita aos conhecimentos
gerais de Língua Portuguesa e Matemática.
Isso é tecnicamente possível porque
a espinha dorsal do Enem, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), também
será adotada na prova aplicada aos alunos ingressantes, estabelecendo
uma base comum para comparar os alunos que passaram pelo Enem e aqueles
que fizeram o Enade.
Simplificando, pode-se dizer que a TRI estabelece
uma "régua" unificada para medir o rendimento, já
que ela permite que se elaborem exames para mensurar as habilidades
dos indivíduos por meio de uma prova com questões de
diferentes níveis de dificuldade.
O nível de habilidade dos alunos é
medido a partir do conjunto de itens que ele acerta - quanto maior
o número de acertos em questões difíceis, maior
a pontuação.
Se for utilizado o mesmo banco de itens (questões)
para elaborar ambas as provas e se as duas tiverem a mesma proporção
de questões fáceis, médias e difíceis,
existe uniformidade entre os dois grupos de iniciantes - aqueles que
fizeram o Enem e os que fizeram o Enade.
Outro aspecto que levanta questionamentos é
a comparação entre o rendimento inicial e o final do
aluno. De acordo coma proposta em discussão, a comparação
será possível a partir de um modelo matemático
a ser desenvolvido para viabilizar a comparação do desempenho
do aluno no Enem (ou na avaliação de entrada do Enade)
com aquele obtido ao final da graduação. A prova de
entrada, portanto, seria genérica, e o Enade aplicado ao final
do curso permaneceria o mesmo, mantendo as questões de conhecimento
específico.
Em linhas gerais, esse modelo matemático
deve fornecer parâmetros para mensurar a evolução
do aluno, a partir de referências que estabelecerão um
grau de desenvolvimento esperado. Isso, de certa maneira, já
é feito por meio do Índice de Diferença entre
os Desempenhos Observado e Esperado (IDD).
O que dizem os defensores da nova proposta é
que, com o Enem, a medida da evolução do aluno fica
mais precisa, por consistir em uma linha de base mais fidedigna para
se efetuar a comparação. Como o aluno faz o Enem antes
de entrar na faculdade, o resultado obtido não é influenciado
pela experiência do primeiro ano de vida universitária.
Além disso, o aluno terá mais comprometimento com o
Exame, que serve também para a admissão universitária.
A principal influência da medida do valor
agregado para as instituições de ensino será
para efeitos de regulação, ou seja, para a concessão
de autorização de novas instituições e
reconhecimento de cursos, por exemplo. Além de ampliar o poder
do aluno, que agora passa a influenciar os índices como CPC
e IGC com duas notas, a crença no Ministério da Educação
é a de que, dentro do novo modelo, será possível
identificar, por exemplo, uma instituição ou curso que
tenha tido um conceito ruim no Enade, mas que desenvolveu um bom trabalho,
agregando muito conhecimento aos alunos. Esse efeito pode influir
positivamente na avaliação, além de permitir
a construção de indicadores mais eficazes para medir
a qualidade do ensino.
Além de interferir nas questões que
envolvem o processo de regulação, a forma como o novo
Enem será usado nos processos seletivos pode vir a afetar,
de maneira positiva ou negativa, a imagem das instituições
de ensino superior - e mesmo criar um ranking de qualidade baseado
na nota dos alunos ingressantes. Isso porque muitas instituições
deverão adotar uma nota mínima (nota de corte), o que
poderá acarretar duas consequências: caso adote uma nota
muito alta, pode ficar com vagas ociosas; caso adote uma nota muito
baixa, pode ser vista como uma instituição pouco exigente.
Para Marcos Facó, superintendente de marketing
da FGV, algumas instituições vão conseguir preencher
suas vagas com notas de corte bem altas, acima de 8, por exemplo.
Essas serão muito bem-vistas e consideradas de alta qualidade.
Outras vão aceitar qualquer nota, mesmo as muito baixas. Essas
tendem a mencionar apenas que aceitam o Enem e não adotam nota
de corte. "Nesses casos, a estratégia de marketing será
frisar que têm, em seus quadros de alunos, cinco estudantes
com nota 10 no Enem, por exemplo."
Roberto Lobo, diretor do Instituto Lobo, consultoria
especializada em educação, frisa que muitos alunos querem
conviver com bons estudantes e estão dispostos até a
pagar mais por isto. "Esse efeito de dizer que vieram os alunos
com melhores notas no Enem será cada vez mais explorado pelas
instituições que buscam este aluno diferenciado",
acredita o consultor.
Facó lembra que atualmente não há
como comparar o grau de dificuldade dos diversos processos seletivos
para afirmar qual instituição é mais ou menos
exigente. Com as notas do Enem haverá uma qualificação
clara do aluno, o que pode vir a formar um ranking qualitativo.
Por enquanto, as instituições de ensino
superior particulares ainda aguardam a consolidação
do novo Enem para decidir se irão usá-lo em substituição
ao vestibular. A tendência é manter um sistema híbrido
enquanto se aguardam os resultados da primeira prova.
Marcos Facó não descarta a hipótese
de a FGV vir a trocar seu vestibular pelas notas do Enem, mas menciona
como problema o calendário incerto: a instituição
ainda não sabe quando o governo irá divulgar as notas
do exame. E, mesmo depois de liberadas as notas, a instituição
ainda terá de esperar pelo resultado da seleção
nas universidades federais e em outras instituições
para que o aluno faça sua opção e, depois, a
matrícula. No modelo atual do vestibular acontece situação
parecida, mas, segundo Facó, existe um processo claro de datas
e prazos.
Outro entrave para a adoção das notas
do Enem como único critério de seleção
nas instituições privadas é que algumas buscam,
em seus processos seletivos, um perfil determinado de alunos. Ou a
complexidade de cursos que exigem provas de conhecimento específico
para o ingresso, como música ou arquitetura.
Além disso, a instituição pode
ver como vantajoso mesclar perfis. É o caso, por exemplo, da
PUC-RJ. Alfredo Jefferson, coordenador central de graduação
da PUC-RJ, diz que o assunto ainda está sendo debatido pelo
colegiado, mas a universidade não pretende alterar sua forma
de seleção, que reserva 50% das vagas para alunos que
fazem o vestibular e 50% para alunos do Enem. "O Enem tradicional
tem trazido alunos com formação mais genérica
e mais maduros, mas não sei como vai ser a nova prova. O vestibular
nos traz um tipo de aluno com conhecimento mais específico.
São alunos bons e de perfis diferentes", explica Jefferson.
Um outro problema é a questão da segurança.
Roberto Lobo lembra que há um enorme aparato para tentar conter
a fraude nos vestibulares mais concorridos. Há organizações
de vestibulares, inclusive, que usam equipamentos para bloquear sinal
de rádio ou cola eletrônica. Com o Enem, a responsabilidade
pela segurança passa para o Estado. "Não acredito
que o governo irá garantir esse grau de controle em todas as
salas de aula do país onde a prova do Enem esteja sendo feita",
diz.
Facó pensa de forma parecida. Segundo o superintendente
de marketing da FGV, a preocupação com a fraude é
um dos elementos que a instituição está considerando
antes de decidir como irá usar a nota do novo Enem. "Não
teremos como ter 100% de certeza de que a prova foi feita com imparcialidade.
Hoje, no vestibular da FGV, monitoramos o uso de aparelhos eletrônicos
em sala, as idas ao banheiro e até usamos um leitor de impressão
digital na hora da prova e na hora da matrícula", diz
Facó. Segundo ele, talvez a FGV opte por adotar algum sistema
secundário ou de apoio para seleção mais criteriosa.
"São todos esses fatores que estamos tentando levantar
antes de tomar qualquer decisão. Eles vão surgindo com
as discussões. É tudo muito novo ainda."
Então, quais as vantagens para as instituições
privadas adotarem o novo Enem como critério de seleção?
Uma delas é o caráter nacional do exame. Facó
diz que de 8% a 10% dos alunos da FGV vêm de outros estados.
Caso adote o Enem como prova única, esse número poderá
aumentar para 20% ou 30%. "A unificação da prova
facilita a vinda de alunos. A maratona de vestibulares acaba",
afirma Facó.
Para Jefferson, aceitar a nota do Enem em processo
paralelo ao vestibular é uma forma de dar mais tranquilidade
ao aluno. "Alivia um pouco a pressão de ter que ir bem
em uma única prova, em um único dia", diz o coordenador
central de graduação da PUC-RJ. Na universidade, os
candidatos podem concorrer das duas formas e um software escolhe a
melhor opção para o aluno.
Usar as notas do Enem também pode ser uma
forma de conseguir mais alunos e democratizar o acesso ao ensino superior.
Paulo Alonso, reitor do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade),
acredita que a melhor forma de atender seu público alvo é
multiplicar as formas de acesso ao ensino superior, o que inclui permitir
a matrícula de alunos oriundos do novo Enem. Alonso diz, por
exemplo, que, após o prazo de três anos para a consolidação
do novo Enem, a UniverCidade poderá compatibilizá-lo
com as políticas afirmativas já adotadas no centro universitário
e com outras modalidades de seleção. "Desse modo,
poderá permitir preencher as vagas remanescentes ao fim da
sua seleção", explica Alonso.
Fonte:Revista Ensino Superior
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Cursos inovadores registram maior crescimento |
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Historicamente, os alunos brasileiros preferem seguir
carreiras tradicionais, fato comprovado pela concentração
da demanda em cursos como direito e administração. Mas
levantamento realizado pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de
Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo
(Semesp) com base nos dados do Censo da Educação Superior
2007 mostra que as instituições que investiram em graduações
ligadas às "profissões do futuro", nas áreas
de genética, meio ambiente, sustentabilidade, midiática,
alta tecnologia ou empreendedorismo conseguiram bons resultados. Principalmente
entre os cursos superiores de tecnologia.
Nos últimos dois anos, cresceu significativamente
a variação de alunos ingressantes em cursos como gestão
empreendedora ou processos gerenciais (528%), extração
de petróleo e gás (174%), gestão em logística
(87,9%), gastronomia (59,6%), tecnologia de radiologia (31%) ou administração
de redes (21,6%).
O resultado é que as instituições
de ensino superior brasileiras têm conseguido acompanhar as
mudanças no mercado de trabalho mundial, ampliando a oferta
de novos cursos e inserindo conteúdos diferenciados em graduações
tradicionais como administração de empresas, medicina
ou engenharia.
"As universidades estão se adequando
rapidamente às mudanças no mercado de trabalho e aos
cursos tecnólogos, de curta duração, que mesmo
mais baratos dobraram de tamanho nos últimos dois anos, mas
não chegam a incomodar as profissões tradicionais, ainda
as mais procuradas em números absolutos", avalia o diretor-executivo
do Semesp, Rodrigo Capelato.
Embora o curso tecnólogo de gestão
empreendedora ou de processos gerenciais tenha crescido 528% em número
de ingressantes, eles representam hoje apenas 8.555 alunos em todo
o Brasil, da mesma forma que o de extração de petróleo
e gás, o segundo a apresentar maior variação,
responde por apenas 4.263 alunos.
Enquanto isso, os chamados cursos tradicionais,
como administração, possuem mais de 217 mil alunos matriculados,
apesar de terem apresentado uma queda de 9% no comparativo 2006/2007.
O curso de direito cresceu apenas 1,7% no mesmo período, mas
também representa um montante de mais de 157 mil alunos.
"Os cursos de direito e administração
ainda representam 1/3 do total de alunos matriculados hoje, tanto
em universidades públicas como privadas", explica Carlos
Monteiro, diretor -presidente da CM Consultoria de Administração
e Marketing.
Os números do Semesp confirmam essa tendência:
os cursos mais procurados nas instituições privadas
são administração, com 17% das matrículas;
direito, com 15,1%, e em seguida, bem mais atrás, enfermagem
e pedagogia, com 5% cada, e comunicação social e ciências
contábeis, com pouco mais de 4%.
"Os cursos imperiais (medicina, direito e engenharia)
continuam dando as cartas. A mentalidade das nossas instituições
de ensino, dos seus gestores e professores ainda é muito refratária
e vivemos em um país de bacharéis, como no século
XIX," acredita Carlos Monteiro.
A opinião do consultor está baseada
em números do mercado que mostram que, apesar de os cursos
de formação tecnológica viverem um bom momento,
eles ainda representam um universo de pouco mais de 6% do total de
matrículas no ensino superior . "Ou seja, o Brasil ainda
está na contramão do mundo, já que em todas as
outras grandes nações a procura por graduação
tecnológica, cursos de curta duração ou de educação
a distância, desde 2002, é infinitamente maior do que
por graduação normal e presencial", diz Monteiro.
Marisa da Silva, consultora de carreira da Career
Center, empresa especializada em Gestão Estratégica
em RH e Carreira, acredita que a oferta ainda está diretamente
ligada a questões culturais.
"Nossos estudantes têm uma forte tendência
a seguir a área de Humanas e são seduzidos pelas carreiras
midiáticas como publicidade e propaganda, jornalismo, mídias
digitais ou artes cênicas, mas a maior carência do Brasil
ainda está na área de exatas."
A executiva defende uma nova formação
profissional no país, que seja capaz de evitar o desperdício
de recursos financeiros na educação e de tempo na construção
de uma mão de obra cada vez mais qualificada. "O que mais
acontece hoje é o jovem se encantar com as profissões
relacionadas à mídia, com carreiras glamourosas e depois
perceber que a profissão que escolheu não é nada
daquilo que ele imaginava. E vem a frustração e o retrato
de um profissional infeliz", define.
Para Carlos Monteiro, também cabe às
instituições de ensino agirem para mudar esse cenário.
"O futuro não é loteria. As decisões sobre
o futuro devem ser tomadas no presente e as instituições
precisam definir seus portfólios hoje para projetarem o futuro.
Os cursos de ensino a distância, por exemplo, vão crescer
muito mais e precisam ser vistos e aceitos como uma modalidade estratégica
de ensino. Trata-se de uma questão de tendência mundial
pela escolha de um modelo híbrido de educação."
Exemplo de carreira hereditária, mas que
cada vez possui mais demanda de profissionais, a engenharia cresce
bastante, tanto no modelo tradicional de graduação presencial
como nos de cursos superiores de tecnologia, de curta duração.
Os diversos ramos da área, como engenharia de produção,
agrícola, eletrônica, mecânica, civil, elétrica
ou nuclear, aparecem todo ano na lista dos cursos mais procurados
pelos vestibulandos em todas as regiões do Brasil. No Sul e
no Sudeste, por exemplo, a engenharia tem sido sempre a primeira colocada
entre os cursos mais tradicionais.
Do outro lado da moeda estão cursos como
normal superior, formação de professor, letras, matemática
e turismo, que têm registrado uma curva descendente ano a ano
no número de alunos ingressantes, e com percentuais muito significativos,
que podem indicar não ser um bom caminho para as projeções
futuras das instituições de ensino superior. Apesar
disso, muitas podem continar a manter essas graduações
por uma questão de decisão estratégica, como
o perfil da instituição, ou para ajudar no esfoço
pela ampliação e melhora da formação de
professores.
O quadro geral parece estar na adoção
de um novo modelo educacional de ensino superior, muito mais flexível
e facilmente adaptável às demandas de uma nova sociedade
e de um novo mercado de trabalho.
Fonte: Revista Ensino Superior
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