Inovação por Design: o design além dos designers

Segundo Marty Neumeier, consultor e autor dos livros The Brand Gap, Zage The Designful Company, o designer é o profissional que possui as características necessárias para revolucionar a forma como o modelo do pensamento atual se estabeleceu, saindo da lógica da Planilha Eletrônica e da Linha de Montagem para uma visão holística, capaz de perceber o mundo de uma maneira não-linear.

No livro The Designful Company, Neumeier afirma que, “se é a Inovação que origina a Diferenciação, é o Design que origina a Inovação”. Ele parte então para uma definição de Design que ultrapassa os limites da forma e sua estética, dizendo que até os dias de hoje, “a disciplina do Design tem sido relegada a um papel coadjuvante, confundida com um Salão de Beleza para identidades visuais e comunicação, ou como última etapa do processo de lançamento de um produto”. Neumeier indica que o Design não é mais confundido com parafernália tecnológica como o iPod, o Nintendo Wii ou um carro elétrico. O Design agora passa a conduzir inovação também em Processos, Sistemas e Organizações. Design gera Inovação; Inovação reforça a Marca; Marca constrói Fidelidade e Fidelidade sustenta os Lucros. Empresas genuinamente inovadoras são preferidas pelos consumidores. No livro, Neumeier usa como exemplo Steve Ballmer, CEO da Microsoft, que ficou famoso por um vídeo onde ele fala sobre a Microsoft e grita “I Love this Company!”. No caso da Apple, são os consumidores que gritam a frase. Isto explica porque a Apple está no topo da lista de marcas mais valiosas do mundo, bem a frente da Microsoft. A Apple usa o Design como a semente de todos os seus projetos. Não são os produtos que “têm” design. É o Design que resulta em novos produtos.

Neumeier segue citando Roger Martin, reitor da Rotman School of Management, da Universidade de Toronto, Canadá, que afirma que “para criar relevância, as empresas vão ter que fazer mais do que contratar Design. Elas terão que SER designers. Precisarão pensar como designers, sentir como designers e agir como designers”. Os designers possuem uma capacidade inigualável de promover a mudança. O dia-a-dia de nossa profissão pode ser descrito como uma ininterrupta busca pela melhoria de uma dada situação. E não são somente os Designers agem desta maneira. Nós somos munidos de um ferramental para tangibilizar estas mudanças de uma forma mais visível. Mas qualquer outro profissional pode ter uma abordagem “de Design” em suas tarefas, até mesmo um médico. A série House, do Universal Channel, retrata um médico que utiliza abordagens altamente inovadoras e não lógicas na busca pela resposta para os casos mais complicados da medicina. Segundo o autor, os designers, no entanto, possuem algumas características muito favoráveis ao modo holístico de pensar do Design: A empatia, a intuição, a imaginação e a ideologia. Estas são algumas das características que nos diferenciam daqueles que utilizam o lado esquerdo do cérebro na elaboração de suas estratégias. Ao mesmo tempo, estas características nos tornam seres estranhos ao mundo corporativo atual, ainda engajado na visão Tayloriana da Administração.

Muito breve, os executivos tradicionais perceberão que nosso Idealismo, que nos impele a sempre buscar melhorar o que está errado e oferecer o que está faltando, poderá ser usado como planta baixa para gerar novas alternativas de serviços e produtos. Nossa intuição, que nos permite resolver os problemas de uma forma não-linear e não-lógica, será considerada uma virtude e não um capricho. E, então, seremos promovidos de meros esteticistas para os verdadeiros agentes da revolução do modo de pensar atual.

Mário Verdi é sócio-diretor da Verdi Design e Presidente da Associação dos Profissionais em Design do Rio Grande do Sul (APDESIGN) Contato: mario@verdi.com.br