O que os números do Censo da Educação Superior 2010 revelam?

Recentemente o governo federal lançou a “Sinopse das Ações do Ministério da Educação” (bit.ly/A66vjV), com diversos dados atualizados sobre a Educação brasileira (Básica e Superior). Entre as informações relevantes, há algumas que podem indicar áreas essenciais para o crescimento do ensino superior nos próximos anos.

De acordo com o MEC, de 2005 a 2011 foram ocupadas 912.204 bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni), sendo 48% dos bolsistas afrodescendentes, 67% das bolsas integrais e 88% dos cursos presenciais (74% noturnos). Considerando o último dado, nota-se claramente a tendência de estudantes de baixa renda utilizarem a bolsa para cursos presenciais e noturnos. Em relação a preferência dos cursos presenciais, isso se deve ao fato do perfil do aluno de EAD ser diferente. Este último ainda é composto por um público mais velho, buscando qualificação profissional e um valor de mensalidade mais baixo.

Os números indicam que há um potencial de alunos, que apresentam dificuldades para pagar um curso superior, mas que aos poucos começam a ingressar em uma IES: o aluno jovem (com menos de 20 anos de idade), de baixa renda, que trabalha para bancar seus estudos (por isso, muitas vezes, a opção pelo noturno). Vale frisar que hoje 6 em cada 10 alunos do ensino superior brasileiro estudam à noite (proporção que vem aumentando bastante a cada década em relação ao matutino).

Se o governo federal pretende cumprir suas metas, em relação ao ensino superior, será indispensável ampliar os investimentos públicos e o incentivo para o crescimento de matrículas nas instituições particulares. E neste sentido, ampliar o ProUni e outros programas de financiamento do ensino superior é fundamental.

Por outro lado, a iniciativa por financiamento privado, seja pelos bancos ou pelas próprias instituições de ensino superior também pode contribuir para o acesso ao 3ª grau, reduzindo as vagas ociosas nas IES.

Mais do que isso, um estudo mais detalhado sobre os fatores que ainda podem impedir o ingresso de novos alunos em IES particulares, mesmo com o crescimento desses incentivos pode ajudar a desenvolver a melhor estratégia de crescimento e desenvolvimento do setor.

Assim, aliados a outros fatores, será possível reverter a tendência de decréscimo na taxa de matrículas de alunos no ensino superior, percebida nos últimos anos.

 

Alexandre Nonato é Analista de Comunicação da Hoper, Jornalista (PUC-SP), Mestre em Jornalismo (UFSC) e autor de dois livros. Contato: alexandrenonato@hoper.com.br